quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

A PROGRAMAÇÃO NEUROLINGÜÍSTICA E A VIDA NO III MILÊNIO

A PROGRAMAÇÃO NEUROLINGÜÍSTICA E A VIDA NO III MILÊNIO
Sinopse
Sendo o primeiro artigo que escrevi, em 1995, recém chegado de uma viagem ao encontro de Richard Bandler, esse texto é um testemunho de várias experiências, um tanto desordenadas na seqüência, vividas em busca do conhecimento da Programação Neurolingüística e da Hipnose.
Contexto
Do início ao meio da década de 1990, nosso país estava repleto de estrangeiros que vinham para divulgar e ensinar as mais variadas metodologias de desenvolvimento pessoal, pois naquela época ainda eram poucos os brasileiros que dominavam tais tecnologias. Nessa época foram realizados congressos, seminários, encontros, fundada uma associação, etc, que posteriormente deram origem à comunidade brasileira de praticantes de PNL, Hipnose, Aprendizagem Acelerada, e outras metodologias de vanguarda.
Artigo
Tendo lido uma matéria sobre hipnose na Revista Planeta, senti falta de alguma citação dos trabalhos do Dr. Milton H. Erickson, M.D. (falecido em 1.980) ou de algum de seus discípulos mais conhecidos no Brasil, tais como: Dr. Ernest Rossi, Ph.D.; Dr. Jeffrey K. Zeig, Ph.D.; Dr. Steven Lankton, A.C.S.W. com os quais tive oportunidade de estudar pessoalmente. Estes e outros profissionais de altíssimo gabarito vêm ao Brasil regularmente ministrar seminários e cursos.
Tenho estudado Programação Neurolingüística a fundo durante os últimos quatro anos e ficado muito surpreso e feliz com os meus resultados. Observei que, na verdade, essa é a maior mensagem dos grandes instrutores de PNL (para os íntimos). Gostaria de compartilhar algumas descobertas por esse caminho que me proporcionou desenvolver uma nova atitude e forma de perceber as coisas da vida (crenças e valores).
Como alguns outros consultores na área, minha entrada na PNL foi de mansinho e com olhar bastante crítico. Por necessidades pessoais iniciei buscando significados e a filosofia da prática que, em geral não é apresentada nos cursos introdutórios. Além disso, me interessava saber como a PNL veio a existir, de onde veio, como foi desenvolvida?
Os pais da PNL são o Dr. Richard Bandler e o Dr. John Grinder. Ambos são cientistas do comportamento humano, instrutores e consultores internacionais. Bandler tem formação acadêmica em matemática, segundo dizem; Grinder, em lingüística. Outra grande personalidade que esteve presente no nascimento da PNL é Robert Dilts – ele tem uma universidade de PNL na Califórnia e é autor da Teoria de Campo Unificado da PNL (PNL Sistêmica).
É muito mais fácil, na minha opinião, perceber algo a respeito dos significados e filosofia da prática da PNL tendo contato pessoal com os grandes bruxos dessa ciência da transformação pessoal ou buscando referências nos avós desta. São eles: Fritz Perls (pai da Gestalt Terapia), Gregory Bateson (antropólogo, pai da Terapia Sistêmica), Virgínia Satir (mãe da Terapia Estratégica) e Milton Erickson (pai da Hipnose Médica Científica Moderna). Meu caminho pessoal, até agora, tem sido buscar e estudar o trabalho do Dr. Erickson através de literatura (Summus Editorial/SP e Editorial PSY/Campinas) e participação em cursos e seminários.
Além do fascínio pessoal, o carisma dos grandes mestres é especialmente evidenciado pela atitude pura e respeitável de suas intervenções. Suas percepções a respeito da individualidade das pessoas, sua atenção e delicadeza no relacionamento com elas são intrigantes e dignas de elogios.
Todos eles me fazem lembrar constantemente a atitude Zen. Aquela curiosidade natural e essencial, o senso de humor leve e sem agressividade, a própria naturalidade da existência. Tive oportunidade, ao longo de 13 anos de prática de Tai Chi Chuan e I Chuan, de ler bastante e conviver com dois mestres de altíssimo nível. Acrescentado meu interesse pelo estudo comparado de religiões, cultura e filosofia, isso me conduz a opinar que nada existe, na cultura ocidental, mais próximo do Zen do que a atitude proposta pelos autores da PNL. Entretanto, não seria justo ignorar as novas descobertas e buscas no campo das ciências: Física Quântica, Teoria do Caos, Teoria da Relatividade etc., cujos autores propunham atitude semelhante frente à vida. Nossa ciência, a cada dia, parece reconhecer a natureza paradoxal da realidade (se é que ela existe da forma que concebemos materialmente).
Vivemos já no terceiro milênio!!! O que podemos fazer, cada um de nós, para criar e construir um mundo onde tenhamos prazer de viver, onde queiramos estar, participar e compartilhar? Essa é a proposta de um apelo mundial, iniciada por Robert Dilts, para que nos mobilizemos em buscar boas coisas e melhores sentimentos.
Aqui, como em alguns campos do conhecimento ou algumas descobertas científicas, existe uma grande proposta de reformulação de paradigma: O PRESENTE É CONSEQÜÊNCIA DO FUTURO, ao contrário das antigas crenças de que o passado gera o presente. Sob esse novo enfoque, percebe-se que o princípio de causa e efeito não foi bem explicado por muitos anos. Com ele, coexistem os conceitos de sincronicidade e de realidade paradoxal.
Se eu pudesse definir o que é PNL, talvez dissesse que é simplesmente uma atitude: a CURIOSIDADE INFANTIL, o RESPEITO de um ANCIÃO e o DESENVOLVIMENTO DA SENSIBILIDADE em um grau que seja útil e permita ajudar outras pessoas a fazerem suas próprias transformações. Há quem diga que PNL é magia hi tech. Parece evidente ser mais um dos caminhos do aprimoramento humano. Não necessariamente o melhor, porém uma boa opção para aqueles que receberam inicialmente uma educação muito cartesiana.
Livros sobre o assunto, existem vários. Há duas editoras especialmente empenhadas em trazer para a língua portuguesa os melhores trabalhos: Summus Editorial (mais de 15 títulos sobre PNL) e Editorial PSY (bibliografia sobre Hipnose Ericksoniana). Como já comentei, 80% das pressuposições das duas ciências são as mesmas. Há vários autores brasileiros que escreveram sobre o assunto. Os que mais admiro são o Dr. Tom Chung ("Qualidade Começa em Mim") e o Dr. Nelson Spritzer ("Pensamento e Mudança"), como livros básicos. Foi lançado recentemente um livro básico muito bom, traduzido do inglês, de Joseph O'Connor e John Seymour: "Introdução à Programação NeuroLinguística".
Na minha atuação como instrutor de PNL, tenho por hábito contar algumas histórias para explicar alguns assuntos. Diz a história da humanidade que essa era uma forma eficaz (metáforas) de transmitir conhecimentos antes da Dialética Histórica. Essa é uma estratégia muito eficaz para gerar aprendizagens: algo muito diferente de ensinar. Tenho usado esse recurso há muito tempo na minha atividade profissional e tenho obtido resultados muito bons, com melhora de desempenho e produtividade na prática esportiva, em aulas e consultoria (Psicologia Esportiva). Além de todos os outros benefícios do esporte, uma qualidade muito significativa é a oportunidade de se construir o aprendizado de recursos e estratégias mentais e emocionais dentro desse "cenário" do ambiente esportivo.
Na minha experiência pessoal, busquei a PNL, inicialmente, para melhorar minhas performances pessoal e profissional como educador. Sou muito grato à Providência pela oportunidade de ter tido contato com os grandes mestres da PNL. Lembrando novamente de nossa presença no século vinte e um, acredito que a PNL seja um dos sistemas que nos ajudarão a transpor nossa civilização para uma nova era, com novos valores, novas crenças, nova educação, nova vida.
Quando falamos em mudanças tão profundas que chegam à sociedade, não podemos deixar de lembrar a atividade humana básica do trabalho. Melhor ainda, a EMPRESA. Os profissionais que atuam em empresas desenvolveram uma abordagem especial para obter melhores resultados em vendas, comunicação profissional e pessoal, endomarketing, cibernética empresarial etc. Uma das melhores palestras realizadas no Primeiro Congresso de PNL, no ano passado, foi de um consultor chamado Rodolfo Lepri, sobre conceitos e metáforas de transformação, aqueles "vírus" positivos que transformam as pessoas e as empresas num plano subliminar. Nos trabalhos efetivos de aumento de produtividade e mudanças de crenças e consultoria existem muitas instituições. O Instituto de Programação Neurolingüística (PNA), onde recebi parte da minha formação, é muito ativo em São Paulo, capital e interior, e no resto do país.
Desde o início ficou muito evidente para mim que as estratégias de ensino que os mestres usavam eram bastante diferentes da didática convencional. Posteriormente, descobri que isso se chamava ENSINO RECURSIVO: ensinar PNL usando PNL (já que ela é uma poderosa ferramenta de comunicação e ensino). Naquele momento, comecei a pensar a respeito de algo que, há muito tempo, vivia na minha mente: APRENDENDO A APRENDER (modelagem). Essa é uma diferença que faz muita diferença. Assim se reconhecem grandes instrutores, quer conheçam PNL ou não. São aqueles cuja coerência (sua vida é um exemplo daquilo que propõe) e congruência (mobilizado por suas próprias forças inconscientes) concorrem para que sua linguagem e comunicação atinjam tanto a mente consciente quanto, principalmente, a mente inconsciente dos aprendizes. Alguns desses sequer se preocupam em ser claros racionalmente, considerando que aproximadamente 95% da existência humana ocorre em nível não- consciente.
Pessoalmente, tive oportunidade de experimentar muitos dos conceitos da mudança pessoal mesmo antes de conhecer a PNL. Dois deles são especiais: o que é consciente e inconsciente e o que é arquétipo? O primeiro é muito evidente, caso tenhamos nos submetido a qualquer experiência de estados alterados de consciência. O que são arquétipos, porém, me tomaram aproximadamente 14 anos para alcançar minhas percepções atuais. Inicialmente, em 1982, ouvi a respeito no primeiro ano do curso de filosofia na PUC/SP era muito hermético. Por muito tempo permaneceu apenas como um conceito abstrato. Posteriormente, em 1991, me submeti a um processo terapêutico chamado PSICOTRANSE, criado pelo Dr. Eliezer Cerqueira Mendes. Gosto de definir essa terapia como uma PARAPSICOTERAPIA. Somente então pude perceber a "realidade" e a "objetividade" do que era arquétipo. O Dr. Eliezer decodificou a cultura religiosa brasileira de uma forma brilhantemente científica, na minha opinião. Nessa terapia, os processos se sucediam, eu percebia, mas não escolhia a fenomenologia do transe. Finalmente, dentro de um seminário organizado por uma grande organizadora de eventos de PNL e difusora da teoria e prática, chamado "INSTRUMENTOS PARA O ESPÍRITO", conduzido por Robert Dilts e Robert MacDonald, dei o passo final para a experiência interior profunda da estrutura arquetípica. Tenho observado muitas pessoas falarem ou conduzirem seminários sobre PNL (em 1994 houve o Primeiro Congresso Brasileiro de PNL/Hotel Maksoud), e por algum tempo me perguntei: "O que diferencia os grandes mestres da PNL e os outros?". Aprendi que podem existir várias respostas para uma única pergunta. Também aprendi que muitas vezes é mais sábio mudar a pergunta em vez de obter uma resposta (metamodelagem). Finalmente, acho maravilhosas as perguntas para as quais ainda não existem respostas. Temporariamente, talvez, tenha obtido uma resposta para aquela pergunta: "Penso que a PNL possui muito pouca coisa nova em relação ao conhecimento humano: ela é uma verdadeira colcha de retalhos. Porém, como já comentei, ela pode ser encarada como atitudes básicas de curiosidade (acuidade sensorial), respeito ("ecologia"), aprendizagem (modelagem) e comunicação (intra-pessoal e inter-pessoal). Os grandes mestres da PNL decodificaram e apresentaram à nossa civilização, de forma bastante didática, qual é a linguagem (língua) de comunicação entre as mentes consciente e inconsciente. Essa língua (sistemas representacionais e representações internas: modelo de mundo, metáforas de vida, crenças, valores etc.) nos foi dada como presente para que nossas mentes conscientes pudessem saber, conhecer, reconhecer e re-conhecer as suas naturezas interiores (mente inconsciente). Os grandes mestres atuam de dentro para fora (muitas vezes em transe) – são as suas naturezas interiores se manifestando e trazendo a grande mensagem de bem estar e de que melhores dias não dependem do clima nem das circunstâncias, necessariamente. A grande maioria das pessoas, tendo aprendido essa "língua", tenta usá-la para submeter, controlar e conduzir o próprio inconsciente (coração) por trilhas que seus conscientes julgam úteis ou interessantes. Parece até que a carroça está sendo colocada à frente dos cavalos! Esses comentários são resultados de percepções e conclusões pessoais capturadas em ambientes restritos no tempo e no espaço (percepções filtradas pelo meu limitado aparelho sensorial – filtros biológicos, linguagem – português e inglês, e pela minha cultura e educação limitadas – filtros sócio- culturais e pessoais).
Graças a todas essas mudanças de paradigmas, crenças, valores etc., tenho observado que fica cada vez mais fácil aprender mais rapidamente! PNL, Aprendizagem Acelerada, Mapeamento Cerebral, Treinamento Autógeno, Feldenkrais etc. Somente aprendendo a aprender! Comentando especialmente as mudanças de paradigmas sobre aprendizagem rápida, não posso deixar de citar uma das mais poderosas ferramentas que utilizo atualmente: PHOTOREADING (Fotoleitura). Grosseiramente falando, é aprender a ler com a mente inconsciente, "imperdível".
Finalmente, um estudo que iniciei para melhorar o desempenho profissional passou a ser mais uma de minhas atividades profissionais. É importante testemunhar que com muita alegria, divertimento e aprendizagens. O conhecimento encontrei na PNL. A filosofia e a epistemologia? Nos trabalhos sobre hipnose de Milton Erickson. E a atitude? Encontrei por aí, na PNL, no Zen, nas pessoas, na vida, no meio do mundo! Fico muito grato.
Conclusão
Embora um tanto superficial (por mencionar muitas coisas diferentes), esse artigo é um primeiro depoimento, um pouco deslumbrado, de um estudante de algumas ciências do comportamento que se tornaram acessíveis ao público leigo graças à existência de metodologias como a PNL, que didatizaram o conhecimento antes restrito à classe científica. Relevando-se essa empolgação de buscar divulgar e comunicar a descoberta de um tesouro para que todos pudessem compartilhar de descobertas surpreendentes, coloquei o texto aqui apenas como material histórico.
Referências Adicionais
Referências adicionais sobre os assuntos abordados neste site podem ser encontradas em nossa Bibliografia.

Qual a sua opinião sobre este artigo?

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INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO DO POTENCIAL HUMANO

A PROGRAMAÇÃO NEUROLINGÜÍSTICA E A VIDA NO III MILÊNIO

A PROGRAMAÇÃO NEUROLINGÜÍSTICA E A VIDA NO III MILÊNIO
Sinopse
Sendo o primeiro artigo que escrevi, em 1995, recém chegado de uma viagem ao encontro de Richard Bandler, esse texto é um testemunho de várias experiências, um tanto desordenadas na seqüência, vividas em busca do conhecimento da Programação Neurolingüística e da Hipnose.
Contexto
Do início ao meio da década de 1990, nosso país estava repleto de estrangeiros que vinham para divulgar e ensinar as mais variadas metodologias de desenvolvimento pessoal, pois naquela época ainda eram poucos os brasileiros que dominavam tais tecnologias. Nessa época foram realizados congressos, seminários, encontros, fundada uma associação, etc, que posteriormente deram origem à comunidade brasileira de praticantes de PNL, Hipnose, Aprendizagem Acelerada, e outras metodologias de vanguarda.
Artigo
Tendo lido uma matéria sobre hipnose na Revista Planeta, senti falta de alguma citação dos trabalhos do Dr. Milton H. Erickson, M.D. (falecido em 1.980) ou de algum de seus discípulos mais conhecidos no Brasil, tais como: Dr. Ernest Rossi, Ph.D.; Dr. Jeffrey K. Zeig, Ph.D.; Dr. Steven Lankton, A.C.S.W. com os quais tive oportunidade de estudar pessoalmente. Estes e outros profissionais de altíssimo gabarito vêm ao Brasil regularmente ministrar seminários e cursos.
Tenho estudado Programação Neurolingüística a fundo durante os últimos quatro anos e ficado muito surpreso e feliz com os meus resultados. Observei que, na verdade, essa é a maior mensagem dos grandes instrutores de PNL (para os íntimos). Gostaria de compartilhar algumas descobertas por esse caminho que me proporcionou desenvolver uma nova atitude e forma de perceber as coisas da vida (crenças e valores).
Como alguns outros consultores na área, minha entrada na PNL foi de mansinho e com olhar bastante crítico. Por necessidades pessoais iniciei buscando significados e a filosofia da prática que, em geral não é apresentada nos cursos introdutórios. Além disso, me interessava saber como a PNL veio a existir, de onde veio, como foi desenvolvida?
Os pais da PNL são o Dr. Richard Bandler e o Dr. John Grinder. Ambos são cientistas do comportamento humano, instrutores e consultores internacionais. Bandler tem formação acadêmica em matemática, segundo dizem; Grinder, em lingüística. Outra grande personalidade que esteve presente no nascimento da PNL é Robert Dilts – ele tem uma universidade de PNL na Califórnia e é autor da Teoria de Campo Unificado da PNL (PNL Sistêmica).
É muito mais fácil, na minha opinião, perceber algo a respeito dos significados e filosofia da prática da PNL tendo contato pessoal com os grandes bruxos dessa ciência da transformação pessoal ou buscando referências nos avós desta. São eles: Fritz Perls (pai da Gestalt Terapia), Gregory Bateson (antropólogo, pai da Terapia Sistêmica), Virgínia Satir (mãe da Terapia Estratégica) e Milton Erickson (pai da Hipnose Médica Científica Moderna). Meu caminho pessoal, até agora, tem sido buscar e estudar o trabalho do Dr. Erickson através de literatura (Summus Editorial/SP e Editorial PSY/Campinas) e participação em cursos e seminários.
Além do fascínio pessoal, o carisma dos grandes mestres é especialmente evidenciado pela atitude pura e respeitável de suas intervenções. Suas percepções a respeito da individualidade das pessoas, sua atenção e delicadeza no relacionamento com elas são intrigantes e dignas de elogios.
Todos eles me fazem lembrar constantemente a atitude Zen. Aquela curiosidade natural e essencial, o senso de humor leve e sem agressividade, a própria naturalidade da existência. Tive oportunidade, ao longo de 13 anos de prática de Tai Chi Chuan e I Chuan, de ler bastante e conviver com dois mestres de altíssimo nível. Acrescentado meu interesse pelo estudo comparado de religiões, cultura e filosofia, isso me conduz a opinar que nada existe, na cultura ocidental, mais próximo do Zen do que a atitude proposta pelos autores da PNL. Entretanto, não seria justo ignorar as novas descobertas e buscas no campo das ciências: Física Quântica, Teoria do Caos, Teoria da Relatividade etc., cujos autores propunham atitude semelhante frente à vida. Nossa ciência, a cada dia, parece reconhecer a natureza paradoxal da realidade (se é que ela existe da forma que concebemos materialmente).
Vivemos já no terceiro milênio!!! O que podemos fazer, cada um de nós, para criar e construir um mundo onde tenhamos prazer de viver, onde queiramos estar, participar e compartilhar? Essa é a proposta de um apelo mundial, iniciada por Robert Dilts, para que nos mobilizemos em buscar boas coisas e melhores sentimentos.
Aqui, como em alguns campos do conhecimento ou algumas descobertas científicas, existe uma grande proposta de reformulação de paradigma: O PRESENTE É CONSEQÜÊNCIA DO FUTURO, ao contrário das antigas crenças de que o passado gera o presente. Sob esse novo enfoque, percebe-se que o princípio de causa e efeito não foi bem explicado por muitos anos. Com ele, coexistem os conceitos de sincronicidade e de realidade paradoxal.
Se eu pudesse definir o que é PNL, talvez dissesse que é simplesmente uma atitude: a CURIOSIDADE INFANTIL, o RESPEITO de um ANCIÃO e o DESENVOLVIMENTO DA SENSIBILIDADE em um grau que seja útil e permita ajudar outras pessoas a fazerem suas próprias transformações. Há quem diga que PNL é magia hi tech. Parece evidente ser mais um dos caminhos do aprimoramento humano. Não necessariamente o melhor, porém uma boa opção para aqueles que receberam inicialmente uma educação muito cartesiana.
Livros sobre o assunto, existem vários. Há duas editoras especialmente empenhadas em trazer para a língua portuguesa os melhores trabalhos: Summus Editorial (mais de 15 títulos sobre PNL) e Editorial PSY (bibliografia sobre Hipnose Ericksoniana). Como já comentei, 80% das pressuposições das duas ciências são as mesmas. Há vários autores brasileiros que escreveram sobre o assunto. Os que mais admiro são o Dr. Tom Chung ("Qualidade Começa em Mim") e o Dr. Nelson Spritzer ("Pensamento e Mudança"), como livros básicos. Foi lançado recentemente um livro básico muito bom, traduzido do inglês, de Joseph O'Connor e John Seymour: "Introdução à Programação NeuroLinguística".
Na minha atuação como instrutor de PNL, tenho por hábito contar algumas histórias para explicar alguns assuntos. Diz a história da humanidade que essa era uma forma eficaz (metáforas) de transmitir conhecimentos antes da Dialética Histórica. Essa é uma estratégia muito eficaz para gerar aprendizagens: algo muito diferente de ensinar. Tenho usado esse recurso há muito tempo na minha atividade profissional e tenho obtido resultados muito bons, com melhora de desempenho e produtividade na prática esportiva, em aulas e consultoria (Psicologia Esportiva). Além de todos os outros benefícios do esporte, uma qualidade muito significativa é a oportunidade de se construir o aprendizado de recursos e estratégias mentais e emocionais dentro desse "cenário" do ambiente esportivo.
Na minha experiência pessoal, busquei a PNL, inicialmente, para melhorar minhas performances pessoal e profissional como educador. Sou muito grato à Providência pela oportunidade de ter tido contato com os grandes mestres da PNL. Lembrando novamente de nossa presença no século vinte e um, acredito que a PNL seja um dos sistemas que nos ajudarão a transpor nossa civilização para uma nova era, com novos valores, novas crenças, nova educação, nova vida.
Quando falamos em mudanças tão profundas que chegam à sociedade, não podemos deixar de lembrar a atividade humana básica do trabalho. Melhor ainda, a EMPRESA. Os profissionais que atuam em empresas desenvolveram uma abordagem especial para obter melhores resultados em vendas, comunicação profissional e pessoal, endomarketing, cibernética empresarial etc. Uma das melhores palestras realizadas no Primeiro Congresso de PNL, no ano passado, foi de um consultor chamado Rodolfo Lepri, sobre conceitos e metáforas de transformação, aqueles "vírus" positivos que transformam as pessoas e as empresas num plano subliminar. Nos trabalhos efetivos de aumento de produtividade e mudanças de crenças e consultoria existem muitas instituições. O Instituto de Programação Neurolingüística (PNA), onde recebi parte da minha formação, é muito ativo em São Paulo, capital e interior, e no resto do país.
Desde o início ficou muito evidente para mim que as estratégias de ensino que os mestres usavam eram bastante diferentes da didática convencional. Posteriormente, descobri que isso se chamava ENSINO RECURSIVO: ensinar PNL usando PNL (já que ela é uma poderosa ferramenta de comunicação e ensino). Naquele momento, comecei a pensar a respeito de algo que, há muito tempo, vivia na minha mente: APRENDENDO A APRENDER (modelagem). Essa é uma diferença que faz muita diferença. Assim se reconhecem grandes instrutores, quer conheçam PNL ou não. São aqueles cuja coerência (sua vida é um exemplo daquilo que propõe) e congruência (mobilizado por suas próprias forças inconscientes) concorrem para que sua linguagem e comunicação atinjam tanto a mente consciente quanto, principalmente, a mente inconsciente dos aprendizes. Alguns desses sequer se preocupam em ser claros racionalmente, considerando que aproximadamente 95% da existência humana ocorre em nível não- consciente.
Pessoalmente, tive oportunidade de experimentar muitos dos conceitos da mudança pessoal mesmo antes de conhecer a PNL. Dois deles são especiais: o que é consciente e inconsciente e o que é arquétipo? O primeiro é muito evidente, caso tenhamos nos submetido a qualquer experiência de estados alterados de consciência. O que são arquétipos, porém, me tomaram aproximadamente 14 anos para alcançar minhas percepções atuais. Inicialmente, em 1982, ouvi a respeito no primeiro ano do curso de filosofia na PUC/SP era muito hermético. Por muito tempo permaneceu apenas como um conceito abstrato. Posteriormente, em 1991, me submeti a um processo terapêutico chamado PSICOTRANSE, criado pelo Dr. Eliezer Cerqueira Mendes. Gosto de definir essa terapia como uma PARAPSICOTERAPIA. Somente então pude perceber a "realidade" e a "objetividade" do que era arquétipo. O Dr. Eliezer decodificou a cultura religiosa brasileira de uma forma brilhantemente científica, na minha opinião. Nessa terapia, os processos se sucediam, eu percebia, mas não escolhia a fenomenologia do transe. Finalmente, dentro de um seminário organizado por uma grande organizadora de eventos de PNL e difusora da teoria e prática, chamado "INSTRUMENTOS PARA O ESPÍRITO", conduzido por Robert Dilts e Robert MacDonald, dei o passo final para a experiência interior profunda da estrutura arquetípica. Tenho observado muitas pessoas falarem ou conduzirem seminários sobre PNL (em 1994 houve o Primeiro Congresso Brasileiro de PNL/Hotel Maksoud), e por algum tempo me perguntei: "O que diferencia os grandes mestres da PNL e os outros?". Aprendi que podem existir várias respostas para uma única pergunta. Também aprendi que muitas vezes é mais sábio mudar a pergunta em vez de obter uma resposta (metamodelagem). Finalmente, acho maravilhosas as perguntas para as quais ainda não existem respostas. Temporariamente, talvez, tenha obtido uma resposta para aquela pergunta: "Penso que a PNL possui muito pouca coisa nova em relação ao conhecimento humano: ela é uma verdadeira colcha de retalhos. Porém, como já comentei, ela pode ser encarada como atitudes básicas de curiosidade (acuidade sensorial), respeito ("ecologia"), aprendizagem (modelagem) e comunicação (intra-pessoal e inter-pessoal). Os grandes mestres da PNL decodificaram e apresentaram à nossa civilização, de forma bastante didática, qual é a linguagem (língua) de comunicação entre as mentes consciente e inconsciente. Essa língua (sistemas representacionais e representações internas: modelo de mundo, metáforas de vida, crenças, valores etc.) nos foi dada como presente para que nossas mentes conscientes pudessem saber, conhecer, reconhecer e re-conhecer as suas naturezas interiores (mente inconsciente). Os grandes mestres atuam de dentro para fora (muitas vezes em transe) – são as suas naturezas interiores se manifestando e trazendo a grande mensagem de bem estar e de que melhores dias não dependem do clima nem das circunstâncias, necessariamente. A grande maioria das pessoas, tendo aprendido essa "língua", tenta usá-la para submeter, controlar e conduzir o próprio inconsciente (coração) por trilhas que seus conscientes julgam úteis ou interessantes. Parece até que a carroça está sendo colocada à frente dos cavalos! Esses comentários são resultados de percepções e conclusões pessoais capturadas em ambientes restritos no tempo e no espaço (percepções filtradas pelo meu limitado aparelho sensorial – filtros biológicos, linguagem – português e inglês, e pela minha cultura e educação limitadas – filtros sócio- culturais e pessoais).
Graças a todas essas mudanças de paradigmas, crenças, valores etc., tenho observado que fica cada vez mais fácil aprender mais rapidamente! PNL, Aprendizagem Acelerada, Mapeamento Cerebral, Treinamento Autógeno, Feldenkrais etc. Somente aprendendo a aprender! Comentando especialmente as mudanças de paradigmas sobre aprendizagem rápida, não posso deixar de citar uma das mais poderosas ferramentas que utilizo atualmente: PHOTOREADING (Fotoleitura). Grosseiramente falando, é aprender a ler com a mente inconsciente, "imperdível".
Finalmente, um estudo que iniciei para melhorar o desempenho profissional passou a ser mais uma de minhas atividades profissionais. É importante testemunhar que com muita alegria, divertimento e aprendizagens. O conhecimento encontrei na PNL. A filosofia e a epistemologia? Nos trabalhos sobre hipnose de Milton Erickson. E a atitude? Encontrei por aí, na PNL, no Zen, nas pessoas, na vida, no meio do mundo! Fico muito grato.
Conclusão
Embora um tanto superficial (por mencionar muitas coisas diferentes), esse artigo é um primeiro depoimento, um pouco deslumbrado, de um estudante de algumas ciências do comportamento que se tornaram acessíveis ao público leigo graças à existência de metodologias como a PNL, que didatizaram o conhecimento antes restrito à classe científica. Relevando-se essa empolgação de buscar divulgar e comunicar a descoberta de um tesouro para que todos pudessem compartilhar de descobertas surpreendentes, coloquei o texto aqui apenas como material histórico.
Referências Adicionais
Referências adicionais sobre os assuntos abordados neste site podem ser encontradas em nossa Bibliografia.

Qual a sua opinião sobre este artigo?

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Bom

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INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO DO POTENCIAL HUMANO

Histórias de desempenho esportivo

A história de Steve Gurney
"Eu era sempre o último nas corridas na escola", disse o triatleta neozelandês Steve Gurney, "e por não ter capacidade nunca sonhei em ser um atleta." (citado por Butcher, 2001, p.52). Com apenas 1 metro e setenta de altura e agora com 40 anos de idade, Gurney graduado em engenharia mecânica pela Universidade de Canterbury, dirige a empresa Gurneygears, onde ele vende uma série das suas próprias invenções para uso esportivo. Mas ele é mais famoso na Nova Zelândia por ter vencido nove vezes o triatlo "Costa a Costa," sendo que foram cinco vezes seguidas. Ele agora se distingue praticando caiaque, corrida e ciclismo, e é um dos atletas mais conhecidos da Nova Zelândia.
A primeira vez em que ele ganhou essa corrida de um lado a outro da Nova Zelândia foi em 1990, depois de um ano trabalhando sob a orientação baseada na PNL de Grahame Felton. O caminho para a fama de Gurney parecia definido, mas em 1994, durante uma perigosa corrida de 5 dias em Bornéo, ele contraiu um caso fatal de leptospirose. Ninguém esperava que ele conseguisse sobreviver à doença. Quando se recuperou dos sérios problemas nos rins, no coração e nos pulmões, entrou numa depressão e num cepticismo consigo mesmo que duraram seis meses. Foi a PNL que permitiu que ele saísse dessa situação e voltasse a correr em dois anos. Ele trabalhou com Felton e mais outros três trainers. Gurney conta o que ocorria naqueles dias: "Eu tinha um provérbio colado no teto em cima da minha cama - Pense em três coisas positivas durante o dia." Depois de refletir, ele diz: "A gratidão de estar vivo e de tirar o máximo proveito do que eu tenho agora, tem um valor muito grande quando penso pelo horror pelo que passei. Agora as minhas paixões e as minhas ações são tudo na minha vida, eu consigo realizar tudo o que eu quero." (Butcher, 2001, p. 56)
A origem da motivação do Steve
Em 1999 Steve me contatou antes do Costa a Costa. Existiam notícias de que corredores mais jovens e mais bem preparados estavam prontos para arrebatar a corrida dele. Ele explicava: "Nesses dias agitados antes da corrida, é muito fácil sucumbir aos rumores sobre desempenhos incríveis nos treinos e dos relatos de competidores "pegando fogo". Nesses dias cruzam pela minha mente pensamentos como: Será que eu treinei o suficiente? Será que treinei demais? Já pensei em todas as possibilidades? Nas semanas anteriores à corrida é realmente importante desenvolver e fortalecer a minha atitude mental. Por exemplo, eu acredito que o vencedor será o atleta que tiver o desejo mais ardente e impetuoso. Mesmo que ele tenha treinado um pouco menos do que os outros concorrentes, pode compensar e por isso vencer, correndo com uma grande paixão e determinação." (Gurney, 2003)
Porém em 1999 o mais importante era ele mesmo esclarecer porque estava correndo. Ele havia criado uma visão do futuro aonde ia se tornar escritor e palestrante motivacional, encorajando pessoas a serem bem sucedidas em seus campos de atuação, usando o seu extraordinário exemplo. Ver essas pessoas na sua mente era uma das coisas essenciais para que ele conseguisse passar pelas partes mais difíceis da corrida daquele ano. Agora, quatro anos depois, ele é uma celebridade, e percorre o país falando para homens de negócios e para crianças nas escolas sobre o que é se sentir saudável e como aproveitar os desafios. Ele já tem três livros planejados, um dos quais é baseado em converter obstáculos em oportunidades e nos insights que ele considera ser a receita do sucesso dele. Isto, segundo ele, é a sua missão. O benefício dessa missão foi óbvio lá em 1999. Num e-mail que ele enviou logo após a corrida, ele dizia: "Um GRANDE obrigado para você pelo trabalho com a PNL que realizou antes da Costa a Costa. Isso fez TODA diferença, e eu fiquei surpreso em como você chegou tão rápido a uma solução. Essa solução mudou o meu pensamento para uma atitude decidida e determinada. Um estado muito mais positivo. O dia da corrida foi incrivelmente agradável e só tinha uma leve brisa. Eu agora sorrio quando penso sobre ela e tenho visões coloridas e agradáveis. Tudo muito poderoso." Lógico que não fui eu que apareci com a solução, foi o próprio Steve. O que eu fiz foi chamar a atenção de que a solução não podia estar disponível somente ao nível da corrida em si. Steve precisava de algo mais poderoso para inspirá-lo, e foi isto que ele descobriu.
A realidade é aquilo que você faz
Novos desafios psicológicos a serem superados surgem a cada ano. Mas em termos de PNL, o que Steve estava fazendo era aprender a fazer funcionar o seu próprio cérebro. Como muitos atletas, ele já estava altamente motivado e tudo que nós estávamos fazendo com a PNL era a sintonia fina desta motivação. Abaixo está a maneira como ele descreve o desafio de 2003 (Gurney, 2003):
"Nesses anos quanto mais eu ganhava uma corrida, mais eu aprendia que o essencial para vencer é o aspecto psicológico. 'O propósito determina a atitude,' diz tudo. Nada mais verdadeiro do que aconteceu nesse ano. Eu tinha um tremendo peso nos ombros. Tinha uma pequena turma de jovens herdeiros prontos para o ataque e dispostos a me tomarem a coroa do Costa a Costa. A mídia também estava sedenta e alimentava o drama com manchetes como: 'Quem será o herdeiro do trono de Gurney!' O patrocinador somente esperava um vencedor para as homenagens, por isso que pressão!"
"Eu gostaria de compartilhar com vocês uma pequena história, porém muito poderosa, de como eu usei a atitude mental da PNL para impulsionar o meu desempenho esse ano no Costa a Costa. É uma história de como transformar um negativo em positivo, convertendo "preocupação" em "desafio!" Em lugar de estar com medo da competição, eu queria era "saborear o desafio" da corrida pelas montanhas que estava me preocupando. Apesar de ser um corredor habilidoso e de ter treinado muito, eu não sou tão rápido no Goat Pass (Desfiladeiro da Cabra) como o Neil Gelately. Historicamente, eu ia aparecer da corrida pelas montanhas de 8 a 10 minutos atrás do líder. Isso ia exigir um enorme esforço para poder recuperar essa diferença antes da linha de chegada... muito cansativo! (Lógico que eu podia correr pelas montanhas mais ligeiro do que os líderes, mas isso era uma questão de capacidade. Eu precisava me compassar cuidadosamente para correr a uma velocidade que eu pudesse manter por todas as 11 horas, e não apenas nas 3 horas da corrida pelas montanhas. Eu podia vencer a corrida pelas montanhas, mas ia explodir antes da linha de chegada.)"
"Eu recrutei o auxílio do meu guru de PNL Richard Bolstad para me ajudar. Para resumir, a solução era explodir a minha crença de que eu sempre corria 10 minutos atrás dos líderes. Bolstad, com muito poder, chamou a minha atenção de que a realidade é tudo aquilo que eu imagino ser e, de fato com um pouco de trabalho, eu alterei as minhas crenças para elas ficarem mais poderosas e positivas. Eu visualizei o líder da corrida na minha frente "logo ali virando a esquina", possivelmente até atrás de mim, e não os terríveis 10 minutos que eu estava imaginando. Funcionou perfeitamente! Eu apareci vindo das montanhas 1 minuto na frente do Gelately! A minha melhor corrida pelas montanhas até hoje!! O mecanismo é mesmo positivo, alegre e prazeroso. Libera endorfina e outras substâncias químicas naturais que favorecem a velocidade e que intensifica o foco, a concentração e o uso mais eficiente dos músculos e do glicogênio no sangue."
Os esportes e a vida
Joseph O'Connor, trainer de PNL (2001, p viii-ix) especifica os cinco elementos fundamentais para maximizar o desempenho esportivo:
Estabelecer objetivos
Repetição mental usando todos os sentidos
Capacidade para se concentrar, para se focar e prestar atenção ao momento atual
Capacidade para lidar com distrações e ansiedade
Aprender com as vitórias e os insucessos
Essas habilidades são claramente importantes para qualquer realização na vida, e é interessante perceber como Steve usou todos esses elementos no exemplo acima. Como trainer de PNL, eu não sou um especialista em esportes como é o Steve. Apesar dos seus comentários jocosos, eu não sou o seu guru nem conselheiro dele. O meu interesse, cada vez que o vejo, é descobrir como ele está usando o cérebro para obter os resultados que ele está conseguindo, tanto os sucessos como os insucessos, e descobrir o que é que ele quer realizar depois. Deixe-me explicar, usando o exemplo que ele deu acima, como eu faço isto. Vamos analisar o processo pelo qual passamos usando o modelo RESOLVE (discutido com mais detalhes em Bolstad, 2002).
Como RESOLVEr os desafios esportivos
Estado de Recursos para o Practitioner
A sessão que Steve descreve, levou menos de meia hora. Quando ele chegou, eu o saudei e lhe perguntei o que ele queria alcançar com aquele encontro. Eu observei que havia reservado uma hora mas normalmente nós completamos o trabalho na metade do tempo. É o tempo necessário para lhe dizer algo muito importante - a minha confiança de que aquilo que ele quer pode ser realizado.
Estabelecer o rapport
Steve explicou que as usuais dúvidas antes da corrida já estavam correndo pela sua mente (já descritas acima). Ele disse que apesar de saber das vantagens que já tinha das sessões anteriores e do trabalho já feito com a PNL, ainda tinha dúvidas que estavam lhe incomodando. Eu reafirmei o que já tinha dito e verifiquei se ele tinha entendido, ao mesmo tempo em que ajustava a minha postura, voz e respiração para acompanhar a dele. Muito do que nós fazemos numa sessão envolve simplesmente a mudança do estado, e isto precisa começar comigo acompanhando a fisiologia do Steve porque assim, quando eu mudo para um estado mais fortalecedor, ele em resposta passa isso para a corrida.
ESpecifique o objetivo
Eu perguntei para o Steve o que ele precisava conseguir na sessão para saber que ela tinha sido vantajosa. Isso o levou a identificar a corrida pela montanha como o problema principal. Se ele conseguisse superar a sensação de que isso exigia um grande esforço para ser superado, seria ótimo. Eu lhe perguntei como ele se sentiria se o problema fosse resolvido e ele me deu uma boa descrição sensorial e específica do estado que ele queria. Eu verifiquei que isso poderia ser conduzido facilmente por ele. Como ele mencionou antes, isto era uma questão ecológica importante. Se ele queimasse todas as energias no trecho da montanha, como ele disse antes, ele ia "explodir antes da linha de chegada."
Explorando o modelO do mundo
Depois perguntei como ele lidava com as sensações desagradáveis que ele tinha sobre a corrida. Ele me explicou que tinha essa imagem dos líderes correndo uns dez minutos na frente dele. Para verificar isto como se eu estivesse na corrida no lugar dele, o que eu precisava fazer era imaginar que os outros estavam correndo na frente, e pensar sobre o que isto significava em termos de como seria duro o resto da corrida para mim. Eu perguntei a ele como eu fazia para saber e imaginar que eles estavam tão longe na minha frente. Eu podia ver algum deles? Não, agora eles não estavam visíveis. Nesse momento o que eu estou fazendo é explorar o modelo do mundo dele, e chamando a atenção de que é ele que está encarregado de criar as sensações que ele está tendo nesse ponto na corrida. Ele tem que imaginar certas coisas a fim de obter este resultado.
Para demonstrar isso, eu fiz um exercício com ele. Nesse exercício, nós dois ficamos de pé. Fiz o Steve levantar o braço esquerdo para a frente e paralelamente com o chão. Aí lhe disse: "Agora, mantendo os pés no mesmo lugar, gire seu corpo para a esquerda, apontando seu braço tanto quanto conseguir até ele ficar todo esticado. Perceba, por um ponto na parede, o quanto você conseguiu virar." Aí pedi que ele voltasse para a posição inicial, fechasse os olhos e fizesse uma imagem do que ele estaria vendo se girasse de novo, porém dessa vez indo 30 centimetros a mais do que na vez anterior. Eu lhe pedi que percebesse o que ele estava sentindo ser tão mais flexível, e girar tanto tão facilmente. Também, o que ele diria para ele mesmo se conseguisse fazer isto com tanta facilidade. Teria ficado surpreso? Então de novo, pedi que ele girasse fisicamente para a esquerda. Eu demonstrei isto antes, que eu mesmo podia ir mais longe, sorrir com o "conhecimento" e depois afirmar "Veja como agora você vai mais longe usando o mesmo braço." Isso é uma simples demonstração de como o poder das nossas "representações internas" pode dar forma aos nossos resultados externos. Como Steve diz "O propósito determina a atitude."
É essa etapa e não o processo de mudança da PNL, que é o ponto crucial da sessão. O que eu estou fazendo é entrar na experiência do Steve e eu mesmo descobrir o que pode ser ajustado. Muitas vezes antes dessa etapa, o problema parece ser insolúvel para o Steve. Eu não inventei uma solução externa. Eu apenas chamei a atenção do que ele estava fazendo no seu cérebro para conseguir o resultado que ele estava obtendo. Uma vez que isto está esclarecido, a técnica necessária da PNL fica óbvia para nós dois: faça algo diferente!
Liderança
Agora nós estamos prontos para alterar a estratégia de Steve para não se sentir subjugado. Eu chamei a atenção dele que se ele não podia ver os líderes da corrida, então tudo aquilo que ele estava imaginando era apenas uma fantasia. Assim sendo ele também podia criar uma fantasia conveniente. Eu o fiz viver a experiência de estar na corrida, e criar a imagem de que os líderes da corrida só estavam logo ali na frente dele. Imediatamente ele notou que isto tinha funcionado e que ele tinha mudado a maneira que se sentia.
Verificar a mudança
Steve estava tão acostumado aos processos da PNL que antes que eu pudesse lhe perguntar, ele já estava confirmando os resultados e criando uma ponte ao futuro para a mudança. Ele prontamente repetiu passando pelas situações em que se envolveria, confirmando que se sentia diferente ao usar essa nova estratégia.
Saída Ecológica
De fato, Steve modificou a minha sugestão de maneira crucial. Ele imaginou que os outros corredores estavam atrás dele, mesmo na parte mais difícil. Como ele mesmo disse, isso criou um resultado na vida real melhor do que o que ele tinha planejado antes. Nesse momento da sessão, nós só estávamos verificando que o problema tinha sido resolvido de tal modo que ele se sentiria muito bem na corrida real.
O que ganhamos ao trabalhar com atletas usando a PNL?
Eu quero reafirmar que não sou profissional em corridas. Eu corro e faço exercícios moderadamente mas sei que, sem dúvida, as minhas representações internas afetam a minha maneira de correr. Eu já falei com Steve sobre a minha experiência em corridas. Contudo, a minha habilidade é saber como foram construídas as representações internas de uma pessoa e que resultados elas produzem.
Também sei como ressignificar a importância dos eventos. Um ano atrás, por exemplo, Steve me disse que estava preocupado porque agora tinha muitos corredores mais jovens e mais preparados. Eu expressei surpresa. "Uau! Eu achei que era exatamente isto que fazia esse ano ficar tão emocionante. Se você não vencer, vai ser fácil explicar, e também o sucesso será fantástico ao vencer os jogadores mais jovens. Aí é que está o poder disso tudo!" Isso é uma simples ressignificação, e eu a considero tão importante quanto ensinar ao Steve como usar os swishes visuais da PNL que o impulsionam quando está no caiaque, as âncoras que recriam os estados mais elevados a partir dos seus treinos e as afirmações que ele pode escrever no seu caiaque para re-inspirá-lo no meio da corrida.
Também tem um outro aspecto no trabalho com atletas que eu considero importante. Steve descreve como a corrida de 2003 terminou na sua prórpia página da internet. "Quase desmaiando por causa do esgotamento, e caindo de cara na areia pode não ser a maneira favorita para alguém terminar um sábado, eu tenho que dizer que, pessoalmente, foi um final extremamente satisfatório para um grande dia! Assim que os médicos me arrastaram da rampa de chegada da Costa a Costa 2003 para me administrar o soro, eu festejei a satisfação da experiência de estar totalmente esgotado. Podem acreditar na minha palavra, a vitória nesta derradeira corrida foi única porque a gente não podia ter ido correr com mais empenho para vencer do que fomos." (Gurney, 2003). Obviamente, muitas vezes, os atletas trabalham fisicamente no fio da navalha. O meu interesse, como o de Steve, está em assegurar que a pessoa com quem eu estou trabalhando não apenas atinja seu objetivo, como também tenha uma vida que vale a pena ser vivida. Isto significa que as nossas sessões devem levar em consideração algo mais do que apenas no "como vencer."
Steve explica que: "Eu fiz umas pesquisas e descobri um estudo sobre os atletas da equipe dos EUA nos jogos olímpicos que ganharam medalhas de ouro. Foram dois grupos estudados: os vencedores que repetiram as medalhas de ouro e os que tentaram repetir o ouro mas falharam. Tinham muitas conclusões obtidas das comparações das atitudes mentais, mas a que mais me impactuou foi a observação de que os vencedores que repetiram a medalha não se concentraram no objetivo da vitória, do ouro ou das recompensas monetárias. Ao contrário, eles se focaram na sensação de competir com eficiência, de competir com a máxima despreocupação, de estar "excelente" e "na maré." Em poucas palavras, eles se concentraram mesmo foi na diversão, na paixão da atividade que eles escolheram. No prazer! (Gurney, 2001)
Para concluir, se concentrar na diversão é parte de algo maior do que apenas "trabalhar no esporte." Joseph O'Connor disse isso muito bem quando observou "O esporte enriquece a sua vida, mas você precisa ter uma vida satisfatória fora do esporte para ser enriquecida." (O'Connor, 2001, p 155). A minha função é trabalhar com pessoas, onde algumas têm metas no campo do esporte. Acima de tudo o que torna agradável trabalhar com o Steve é que ele sabe a importância disto.
Meus agradecimentos ao Steve Gurney pela contribuição e pelas correções nesse artigo.
Bibliografia:
Bolstad, R. RESOLVE: A New Model Of Therapy, Crown House, Bancyfelin, Wales, 2002
Butcher, M. "Is Steve Gurney Mad?" p 48-59 in North & South, July 2001
Gurney, S. "Gurney's Gossip" Online Edition 2001 (http://www.perceptionkayaking.com/)
Gurney, S. "Gurney's Gossip" Online Edition 31 March 2003 (http://www.gurneygears.com/)
O'Connor, J. NLP & Sports Thorsons, London, 2001
Richard Bolstad é Trainer de PNL e autor de Pro-fusion, um livro sobre PNL e saúde. Richard trabalhou com proeminentes organizações esportivas da Nova Zelândia e foi treinador de atletas como o triatleta Steve Gurney

Histórias de desempenho esportivo

A história de Steve Gurney
"Eu era sempre o último nas corridas na escola", disse o triatleta neozelandês Steve Gurney, "e por não ter capacidade nunca sonhei em ser um atleta." (citado por Butcher, 2001, p.52). Com apenas 1 metro e setenta de altura e agora com 40 anos de idade, Gurney graduado em engenharia mecânica pela Universidade de Canterbury, dirige a empresa Gurneygears, onde ele vende uma série das suas próprias invenções para uso esportivo. Mas ele é mais famoso na Nova Zelândia por ter vencido nove vezes o triatlo "Costa a Costa," sendo que foram cinco vezes seguidas. Ele agora se distingue praticando caiaque, corrida e ciclismo, e é um dos atletas mais conhecidos da Nova Zelândia.
A primeira vez em que ele ganhou essa corrida de um lado a outro da Nova Zelândia foi em 1990, depois de um ano trabalhando sob a orientação baseada na PNL de Grahame Felton. O caminho para a fama de Gurney parecia definido, mas em 1994, durante uma perigosa corrida de 5 dias em Bornéo, ele contraiu um caso fatal de leptospirose. Ninguém esperava que ele conseguisse sobreviver à doença. Quando se recuperou dos sérios problemas nos rins, no coração e nos pulmões, entrou numa depressão e num cepticismo consigo mesmo que duraram seis meses. Foi a PNL que permitiu que ele saísse dessa situação e voltasse a correr em dois anos. Ele trabalhou com Felton e mais outros três trainers. Gurney conta o que ocorria naqueles dias: "Eu tinha um provérbio colado no teto em cima da minha cama - Pense em três coisas positivas durante o dia." Depois de refletir, ele diz: "A gratidão de estar vivo e de tirar o máximo proveito do que eu tenho agora, tem um valor muito grande quando penso pelo horror pelo que passei. Agora as minhas paixões e as minhas ações são tudo na minha vida, eu consigo realizar tudo o que eu quero." (Butcher, 2001, p. 56)
A origem da motivação do Steve
Em 1999 Steve me contatou antes do Costa a Costa. Existiam notícias de que corredores mais jovens e mais bem preparados estavam prontos para arrebatar a corrida dele. Ele explicava: "Nesses dias agitados antes da corrida, é muito fácil sucumbir aos rumores sobre desempenhos incríveis nos treinos e dos relatos de competidores "pegando fogo". Nesses dias cruzam pela minha mente pensamentos como: Será que eu treinei o suficiente? Será que treinei demais? Já pensei em todas as possibilidades? Nas semanas anteriores à corrida é realmente importante desenvolver e fortalecer a minha atitude mental. Por exemplo, eu acredito que o vencedor será o atleta que tiver o desejo mais ardente e impetuoso. Mesmo que ele tenha treinado um pouco menos do que os outros concorrentes, pode compensar e por isso vencer, correndo com uma grande paixão e determinação." (Gurney, 2003)
Porém em 1999 o mais importante era ele mesmo esclarecer porque estava correndo. Ele havia criado uma visão do futuro aonde ia se tornar escritor e palestrante motivacional, encorajando pessoas a serem bem sucedidas em seus campos de atuação, usando o seu extraordinário exemplo. Ver essas pessoas na sua mente era uma das coisas essenciais para que ele conseguisse passar pelas partes mais difíceis da corrida daquele ano. Agora, quatro anos depois, ele é uma celebridade, e percorre o país falando para homens de negócios e para crianças nas escolas sobre o que é se sentir saudável e como aproveitar os desafios. Ele já tem três livros planejados, um dos quais é baseado em converter obstáculos em oportunidades e nos insights que ele considera ser a receita do sucesso dele. Isto, segundo ele, é a sua missão. O benefício dessa missão foi óbvio lá em 1999. Num e-mail que ele enviou logo após a corrida, ele dizia: "Um GRANDE obrigado para você pelo trabalho com a PNL que realizou antes da Costa a Costa. Isso fez TODA diferença, e eu fiquei surpreso em como você chegou tão rápido a uma solução. Essa solução mudou o meu pensamento para uma atitude decidida e determinada. Um estado muito mais positivo. O dia da corrida foi incrivelmente agradável e só tinha uma leve brisa. Eu agora sorrio quando penso sobre ela e tenho visões coloridas e agradáveis. Tudo muito poderoso." Lógico que não fui eu que apareci com a solução, foi o próprio Steve. O que eu fiz foi chamar a atenção de que a solução não podia estar disponível somente ao nível da corrida em si. Steve precisava de algo mais poderoso para inspirá-lo, e foi isto que ele descobriu.
A realidade é aquilo que você faz
Novos desafios psicológicos a serem superados surgem a cada ano. Mas em termos de PNL, o que Steve estava fazendo era aprender a fazer funcionar o seu próprio cérebro. Como muitos atletas, ele já estava altamente motivado e tudo que nós estávamos fazendo com a PNL era a sintonia fina desta motivação. Abaixo está a maneira como ele descreve o desafio de 2003 (Gurney, 2003):
"Nesses anos quanto mais eu ganhava uma corrida, mais eu aprendia que o essencial para vencer é o aspecto psicológico. 'O propósito determina a atitude,' diz tudo. Nada mais verdadeiro do que aconteceu nesse ano. Eu tinha um tremendo peso nos ombros. Tinha uma pequena turma de jovens herdeiros prontos para o ataque e dispostos a me tomarem a coroa do Costa a Costa. A mídia também estava sedenta e alimentava o drama com manchetes como: 'Quem será o herdeiro do trono de Gurney!' O patrocinador somente esperava um vencedor para as homenagens, por isso que pressão!"
"Eu gostaria de compartilhar com vocês uma pequena história, porém muito poderosa, de como eu usei a atitude mental da PNL para impulsionar o meu desempenho esse ano no Costa a Costa. É uma história de como transformar um negativo em positivo, convertendo "preocupação" em "desafio!" Em lugar de estar com medo da competição, eu queria era "saborear o desafio" da corrida pelas montanhas que estava me preocupando. Apesar de ser um corredor habilidoso e de ter treinado muito, eu não sou tão rápido no Goat Pass (Desfiladeiro da Cabra) como o Neil Gelately. Historicamente, eu ia aparecer da corrida pelas montanhas de 8 a 10 minutos atrás do líder. Isso ia exigir um enorme esforço para poder recuperar essa diferença antes da linha de chegada... muito cansativo! (Lógico que eu podia correr pelas montanhas mais ligeiro do que os líderes, mas isso era uma questão de capacidade. Eu precisava me compassar cuidadosamente para correr a uma velocidade que eu pudesse manter por todas as 11 horas, e não apenas nas 3 horas da corrida pelas montanhas. Eu podia vencer a corrida pelas montanhas, mas ia explodir antes da linha de chegada.)"
"Eu recrutei o auxílio do meu guru de PNL Richard Bolstad para me ajudar. Para resumir, a solução era explodir a minha crença de que eu sempre corria 10 minutos atrás dos líderes. Bolstad, com muito poder, chamou a minha atenção de que a realidade é tudo aquilo que eu imagino ser e, de fato com um pouco de trabalho, eu alterei as minhas crenças para elas ficarem mais poderosas e positivas. Eu visualizei o líder da corrida na minha frente "logo ali virando a esquina", possivelmente até atrás de mim, e não os terríveis 10 minutos que eu estava imaginando. Funcionou perfeitamente! Eu apareci vindo das montanhas 1 minuto na frente do Gelately! A minha melhor corrida pelas montanhas até hoje!! O mecanismo é mesmo positivo, alegre e prazeroso. Libera endorfina e outras substâncias químicas naturais que favorecem a velocidade e que intensifica o foco, a concentração e o uso mais eficiente dos músculos e do glicogênio no sangue."
Os esportes e a vida
Joseph O'Connor, trainer de PNL (2001, p viii-ix) especifica os cinco elementos fundamentais para maximizar o desempenho esportivo:
Estabelecer objetivos
Repetição mental usando todos os sentidos
Capacidade para se concentrar, para se focar e prestar atenção ao momento atual
Capacidade para lidar com distrações e ansiedade
Aprender com as vitórias e os insucessos
Essas habilidades são claramente importantes para qualquer realização na vida, e é interessante perceber como Steve usou todos esses elementos no exemplo acima. Como trainer de PNL, eu não sou um especialista em esportes como é o Steve. Apesar dos seus comentários jocosos, eu não sou o seu guru nem conselheiro dele. O meu interesse, cada vez que o vejo, é descobrir como ele está usando o cérebro para obter os resultados que ele está conseguindo, tanto os sucessos como os insucessos, e descobrir o que é que ele quer realizar depois. Deixe-me explicar, usando o exemplo que ele deu acima, como eu faço isto. Vamos analisar o processo pelo qual passamos usando o modelo RESOLVE (discutido com mais detalhes em Bolstad, 2002).
Como RESOLVEr os desafios esportivos
Estado de Recursos para o Practitioner
A sessão que Steve descreve, levou menos de meia hora. Quando ele chegou, eu o saudei e lhe perguntei o que ele queria alcançar com aquele encontro. Eu observei que havia reservado uma hora mas normalmente nós completamos o trabalho na metade do tempo. É o tempo necessário para lhe dizer algo muito importante - a minha confiança de que aquilo que ele quer pode ser realizado.
Estabelecer o rapport
Steve explicou que as usuais dúvidas antes da corrida já estavam correndo pela sua mente (já descritas acima). Ele disse que apesar de saber das vantagens que já tinha das sessões anteriores e do trabalho já feito com a PNL, ainda tinha dúvidas que estavam lhe incomodando. Eu reafirmei o que já tinha dito e verifiquei se ele tinha entendido, ao mesmo tempo em que ajustava a minha postura, voz e respiração para acompanhar a dele. Muito do que nós fazemos numa sessão envolve simplesmente a mudança do estado, e isto precisa começar comigo acompanhando a fisiologia do Steve porque assim, quando eu mudo para um estado mais fortalecedor, ele em resposta passa isso para a corrida.
ESpecifique o objetivo
Eu perguntei para o Steve o que ele precisava conseguir na sessão para saber que ela tinha sido vantajosa. Isso o levou a identificar a corrida pela montanha como o problema principal. Se ele conseguisse superar a sensação de que isso exigia um grande esforço para ser superado, seria ótimo. Eu lhe perguntei como ele se sentiria se o problema fosse resolvido e ele me deu uma boa descrição sensorial e específica do estado que ele queria. Eu verifiquei que isso poderia ser conduzido facilmente por ele. Como ele mencionou antes, isto era uma questão ecológica importante. Se ele queimasse todas as energias no trecho da montanha, como ele disse antes, ele ia "explodir antes da linha de chegada."
Explorando o modelO do mundo
Depois perguntei como ele lidava com as sensações desagradáveis que ele tinha sobre a corrida. Ele me explicou que tinha essa imagem dos líderes correndo uns dez minutos na frente dele. Para verificar isto como se eu estivesse na corrida no lugar dele, o que eu precisava fazer era imaginar que os outros estavam correndo na frente, e pensar sobre o que isto significava em termos de como seria duro o resto da corrida para mim. Eu perguntei a ele como eu fazia para saber e imaginar que eles estavam tão longe na minha frente. Eu podia ver algum deles? Não, agora eles não estavam visíveis. Nesse momento o que eu estou fazendo é explorar o modelo do mundo dele, e chamando a atenção de que é ele que está encarregado de criar as sensações que ele está tendo nesse ponto na corrida. Ele tem que imaginar certas coisas a fim de obter este resultado.
Para demonstrar isso, eu fiz um exercício com ele. Nesse exercício, nós dois ficamos de pé. Fiz o Steve levantar o braço esquerdo para a frente e paralelamente com o chão. Aí lhe disse: "Agora, mantendo os pés no mesmo lugar, gire seu corpo para a esquerda, apontando seu braço tanto quanto conseguir até ele ficar todo esticado. Perceba, por um ponto na parede, o quanto você conseguiu virar." Aí pedi que ele voltasse para a posição inicial, fechasse os olhos e fizesse uma imagem do que ele estaria vendo se girasse de novo, porém dessa vez indo 30 centimetros a mais do que na vez anterior. Eu lhe pedi que percebesse o que ele estava sentindo ser tão mais flexível, e girar tanto tão facilmente. Também, o que ele diria para ele mesmo se conseguisse fazer isto com tanta facilidade. Teria ficado surpreso? Então de novo, pedi que ele girasse fisicamente para a esquerda. Eu demonstrei isto antes, que eu mesmo podia ir mais longe, sorrir com o "conhecimento" e depois afirmar "Veja como agora você vai mais longe usando o mesmo braço." Isso é uma simples demonstração de como o poder das nossas "representações internas" pode dar forma aos nossos resultados externos. Como Steve diz "O propósito determina a atitude."
É essa etapa e não o processo de mudança da PNL, que é o ponto crucial da sessão. O que eu estou fazendo é entrar na experiência do Steve e eu mesmo descobrir o que pode ser ajustado. Muitas vezes antes dessa etapa, o problema parece ser insolúvel para o Steve. Eu não inventei uma solução externa. Eu apenas chamei a atenção do que ele estava fazendo no seu cérebro para conseguir o resultado que ele estava obtendo. Uma vez que isto está esclarecido, a técnica necessária da PNL fica óbvia para nós dois: faça algo diferente!
Liderança
Agora nós estamos prontos para alterar a estratégia de Steve para não se sentir subjugado. Eu chamei a atenção dele que se ele não podia ver os líderes da corrida, então tudo aquilo que ele estava imaginando era apenas uma fantasia. Assim sendo ele também podia criar uma fantasia conveniente. Eu o fiz viver a experiência de estar na corrida, e criar a imagem de que os líderes da corrida só estavam logo ali na frente dele. Imediatamente ele notou que isto tinha funcionado e que ele tinha mudado a maneira que se sentia.
Verificar a mudança
Steve estava tão acostumado aos processos da PNL que antes que eu pudesse lhe perguntar, ele já estava confirmando os resultados e criando uma ponte ao futuro para a mudança. Ele prontamente repetiu passando pelas situações em que se envolveria, confirmando que se sentia diferente ao usar essa nova estratégia.
Saída Ecológica
De fato, Steve modificou a minha sugestão de maneira crucial. Ele imaginou que os outros corredores estavam atrás dele, mesmo na parte mais difícil. Como ele mesmo disse, isso criou um resultado na vida real melhor do que o que ele tinha planejado antes. Nesse momento da sessão, nós só estávamos verificando que o problema tinha sido resolvido de tal modo que ele se sentiria muito bem na corrida real.
O que ganhamos ao trabalhar com atletas usando a PNL?
Eu quero reafirmar que não sou profissional em corridas. Eu corro e faço exercícios moderadamente mas sei que, sem dúvida, as minhas representações internas afetam a minha maneira de correr. Eu já falei com Steve sobre a minha experiência em corridas. Contudo, a minha habilidade é saber como foram construídas as representações internas de uma pessoa e que resultados elas produzem.
Também sei como ressignificar a importância dos eventos. Um ano atrás, por exemplo, Steve me disse que estava preocupado porque agora tinha muitos corredores mais jovens e mais preparados. Eu expressei surpresa. "Uau! Eu achei que era exatamente isto que fazia esse ano ficar tão emocionante. Se você não vencer, vai ser fácil explicar, e também o sucesso será fantástico ao vencer os jogadores mais jovens. Aí é que está o poder disso tudo!" Isso é uma simples ressignificação, e eu a considero tão importante quanto ensinar ao Steve como usar os swishes visuais da PNL que o impulsionam quando está no caiaque, as âncoras que recriam os estados mais elevados a partir dos seus treinos e as afirmações que ele pode escrever no seu caiaque para re-inspirá-lo no meio da corrida.
Também tem um outro aspecto no trabalho com atletas que eu considero importante. Steve descreve como a corrida de 2003 terminou na sua prórpia página da internet. "Quase desmaiando por causa do esgotamento, e caindo de cara na areia pode não ser a maneira favorita para alguém terminar um sábado, eu tenho que dizer que, pessoalmente, foi um final extremamente satisfatório para um grande dia! Assim que os médicos me arrastaram da rampa de chegada da Costa a Costa 2003 para me administrar o soro, eu festejei a satisfação da experiência de estar totalmente esgotado. Podem acreditar na minha palavra, a vitória nesta derradeira corrida foi única porque a gente não podia ter ido correr com mais empenho para vencer do que fomos." (Gurney, 2003). Obviamente, muitas vezes, os atletas trabalham fisicamente no fio da navalha. O meu interesse, como o de Steve, está em assegurar que a pessoa com quem eu estou trabalhando não apenas atinja seu objetivo, como também tenha uma vida que vale a pena ser vivida. Isto significa que as nossas sessões devem levar em consideração algo mais do que apenas no "como vencer."
Steve explica que: "Eu fiz umas pesquisas e descobri um estudo sobre os atletas da equipe dos EUA nos jogos olímpicos que ganharam medalhas de ouro. Foram dois grupos estudados: os vencedores que repetiram as medalhas de ouro e os que tentaram repetir o ouro mas falharam. Tinham muitas conclusões obtidas das comparações das atitudes mentais, mas a que mais me impactuou foi a observação de que os vencedores que repetiram a medalha não se concentraram no objetivo da vitória, do ouro ou das recompensas monetárias. Ao contrário, eles se focaram na sensação de competir com eficiência, de competir com a máxima despreocupação, de estar "excelente" e "na maré." Em poucas palavras, eles se concentraram mesmo foi na diversão, na paixão da atividade que eles escolheram. No prazer! (Gurney, 2001)
Para concluir, se concentrar na diversão é parte de algo maior do que apenas "trabalhar no esporte." Joseph O'Connor disse isso muito bem quando observou "O esporte enriquece a sua vida, mas você precisa ter uma vida satisfatória fora do esporte para ser enriquecida." (O'Connor, 2001, p 155). A minha função é trabalhar com pessoas, onde algumas têm metas no campo do esporte. Acima de tudo o que torna agradável trabalhar com o Steve é que ele sabe a importância disto.
Meus agradecimentos ao Steve Gurney pela contribuição e pelas correções nesse artigo.
Bibliografia:
Bolstad, R. RESOLVE: A New Model Of Therapy, Crown House, Bancyfelin, Wales, 2002
Butcher, M. "Is Steve Gurney Mad?" p 48-59 in North & South, July 2001
Gurney, S. "Gurney's Gossip" Online Edition 2001 (http://www.perceptionkayaking.com/)
Gurney, S. "Gurney's Gossip" Online Edition 31 March 2003 (http://www.gurneygears.com/)
O'Connor, J. NLP & Sports Thorsons, London, 2001
Richard Bolstad é Trainer de PNL e autor de Pro-fusion, um livro sobre PNL e saúde. Richard trabalhou com proeminentes organizações esportivas da Nova Zelândia e foi treinador de atletas como o triatleta Steve Gurney

Histórias de desempenho esportivo

A história de Steve Gurney
"Eu era sempre o último nas corridas na escola", disse o triatleta neozelandês Steve Gurney, "e por não ter capacidade nunca sonhei em ser um atleta." (citado por Butcher, 2001, p.52). Com apenas 1 metro e setenta de altura e agora com 40 anos de idade, Gurney graduado em engenharia mecânica pela Universidade de Canterbury, dirige a empresa Gurneygears, onde ele vende uma série das suas próprias invenções para uso esportivo. Mas ele é mais famoso na Nova Zelândia por ter vencido nove vezes o triatlo "Costa a Costa," sendo que foram cinco vezes seguidas. Ele agora se distingue praticando caiaque, corrida e ciclismo, e é um dos atletas mais conhecidos da Nova Zelândia.
A primeira vez em que ele ganhou essa corrida de um lado a outro da Nova Zelândia foi em 1990, depois de um ano trabalhando sob a orientação baseada na PNL de Grahame Felton. O caminho para a fama de Gurney parecia definido, mas em 1994, durante uma perigosa corrida de 5 dias em Bornéo, ele contraiu um caso fatal de leptospirose. Ninguém esperava que ele conseguisse sobreviver à doença. Quando se recuperou dos sérios problemas nos rins, no coração e nos pulmões, entrou numa depressão e num cepticismo consigo mesmo que duraram seis meses. Foi a PNL que permitiu que ele saísse dessa situação e voltasse a correr em dois anos. Ele trabalhou com Felton e mais outros três trainers. Gurney conta o que ocorria naqueles dias: "Eu tinha um provérbio colado no teto em cima da minha cama - Pense em três coisas positivas durante o dia." Depois de refletir, ele diz: "A gratidão de estar vivo e de tirar o máximo proveito do que eu tenho agora, tem um valor muito grande quando penso pelo horror pelo que passei. Agora as minhas paixões e as minhas ações são tudo na minha vida, eu consigo realizar tudo o que eu quero." (Butcher, 2001, p. 56)
A origem da motivação do Steve
Em 1999 Steve me contatou antes do Costa a Costa. Existiam notícias de que corredores mais jovens e mais bem preparados estavam prontos para arrebatar a corrida dele. Ele explicava: "Nesses dias agitados antes da corrida, é muito fácil sucumbir aos rumores sobre desempenhos incríveis nos treinos e dos relatos de competidores "pegando fogo". Nesses dias cruzam pela minha mente pensamentos como: Será que eu treinei o suficiente? Será que treinei demais? Já pensei em todas as possibilidades? Nas semanas anteriores à corrida é realmente importante desenvolver e fortalecer a minha atitude mental. Por exemplo, eu acredito que o vencedor será o atleta que tiver o desejo mais ardente e impetuoso. Mesmo que ele tenha treinado um pouco menos do que os outros concorrentes, pode compensar e por isso vencer, correndo com uma grande paixão e determinação." (Gurney, 2003)
Porém em 1999 o mais importante era ele mesmo esclarecer porque estava correndo. Ele havia criado uma visão do futuro aonde ia se tornar escritor e palestrante motivacional, encorajando pessoas a serem bem sucedidas em seus campos de atuação, usando o seu extraordinário exemplo. Ver essas pessoas na sua mente era uma das coisas essenciais para que ele conseguisse passar pelas partes mais difíceis da corrida daquele ano. Agora, quatro anos depois, ele é uma celebridade, e percorre o país falando para homens de negócios e para crianças nas escolas sobre o que é se sentir saudável e como aproveitar os desafios. Ele já tem três livros planejados, um dos quais é baseado em converter obstáculos em oportunidades e nos insights que ele considera ser a receita do sucesso dele. Isto, segundo ele, é a sua missão. O benefício dessa missão foi óbvio lá em 1999. Num e-mail que ele enviou logo após a corrida, ele dizia: "Um GRANDE obrigado para você pelo trabalho com a PNL que realizou antes da Costa a Costa. Isso fez TODA diferença, e eu fiquei surpreso em como você chegou tão rápido a uma solução. Essa solução mudou o meu pensamento para uma atitude decidida e determinada. Um estado muito mais positivo. O dia da corrida foi incrivelmente agradável e só tinha uma leve brisa. Eu agora sorrio quando penso sobre ela e tenho visões coloridas e agradáveis. Tudo muito poderoso." Lógico que não fui eu que apareci com a solução, foi o próprio Steve. O que eu fiz foi chamar a atenção de que a solução não podia estar disponível somente ao nível da corrida em si. Steve precisava de algo mais poderoso para inspirá-lo, e foi isto que ele descobriu.
A realidade é aquilo que você faz
Novos desafios psicológicos a serem superados surgem a cada ano. Mas em termos de PNL, o que Steve estava fazendo era aprender a fazer funcionar o seu próprio cérebro. Como muitos atletas, ele já estava altamente motivado e tudo que nós estávamos fazendo com a PNL era a sintonia fina desta motivação. Abaixo está a maneira como ele descreve o desafio de 2003 (Gurney, 2003):
"Nesses anos quanto mais eu ganhava uma corrida, mais eu aprendia que o essencial para vencer é o aspecto psicológico. 'O propósito determina a atitude,' diz tudo. Nada mais verdadeiro do que aconteceu nesse ano. Eu tinha um tremendo peso nos ombros. Tinha uma pequena turma de jovens herdeiros prontos para o ataque e dispostos a me tomarem a coroa do Costa a Costa. A mídia também estava sedenta e alimentava o drama com manchetes como: 'Quem será o herdeiro do trono de Gurney!' O patrocinador somente esperava um vencedor para as homenagens, por isso que pressão!"
"Eu gostaria de compartilhar com vocês uma pequena história, porém muito poderosa, de como eu usei a atitude mental da PNL para impulsionar o meu desempenho esse ano no Costa a Costa. É uma história de como transformar um negativo em positivo, convertendo "preocupação" em "desafio!" Em lugar de estar com medo da competição, eu queria era "saborear o desafio" da corrida pelas montanhas que estava me preocupando. Apesar de ser um corredor habilidoso e de ter treinado muito, eu não sou tão rápido no Goat Pass (Desfiladeiro da Cabra) como o Neil Gelately. Historicamente, eu ia aparecer da corrida pelas montanhas de 8 a 10 minutos atrás do líder. Isso ia exigir um enorme esforço para poder recuperar essa diferença antes da linha de chegada... muito cansativo! (Lógico que eu podia correr pelas montanhas mais ligeiro do que os líderes, mas isso era uma questão de capacidade. Eu precisava me compassar cuidadosamente para correr a uma velocidade que eu pudesse manter por todas as 11 horas, e não apenas nas 3 horas da corrida pelas montanhas. Eu podia vencer a corrida pelas montanhas, mas ia explodir antes da linha de chegada.)"
"Eu recrutei o auxílio do meu guru de PNL Richard Bolstad para me ajudar. Para resumir, a solução era explodir a minha crença de que eu sempre corria 10 minutos atrás dos líderes. Bolstad, com muito poder, chamou a minha atenção de que a realidade é tudo aquilo que eu imagino ser e, de fato com um pouco de trabalho, eu alterei as minhas crenças para elas ficarem mais poderosas e positivas. Eu visualizei o líder da corrida na minha frente "logo ali virando a esquina", possivelmente até atrás de mim, e não os terríveis 10 minutos que eu estava imaginando. Funcionou perfeitamente! Eu apareci vindo das montanhas 1 minuto na frente do Gelately! A minha melhor corrida pelas montanhas até hoje!! O mecanismo é mesmo positivo, alegre e prazeroso. Libera endorfina e outras substâncias químicas naturais que favorecem a velocidade e que intensifica o foco, a concentração e o uso mais eficiente dos músculos e do glicogênio no sangue."
Os esportes e a vida
Joseph O'Connor, trainer de PNL (2001, p viii-ix) especifica os cinco elementos fundamentais para maximizar o desempenho esportivo:
Estabelecer objetivos
Repetição mental usando todos os sentidos
Capacidade para se concentrar, para se focar e prestar atenção ao momento atual
Capacidade para lidar com distrações e ansiedade
Aprender com as vitórias e os insucessos
Essas habilidades são claramente importantes para qualquer realização na vida, e é interessante perceber como Steve usou todos esses elementos no exemplo acima. Como trainer de PNL, eu não sou um especialista em esportes como é o Steve. Apesar dos seus comentários jocosos, eu não sou o seu guru nem conselheiro dele. O meu interesse, cada vez que o vejo, é descobrir como ele está usando o cérebro para obter os resultados que ele está conseguindo, tanto os sucessos como os insucessos, e descobrir o que é que ele quer realizar depois. Deixe-me explicar, usando o exemplo que ele deu acima, como eu faço isto. Vamos analisar o processo pelo qual passamos usando o modelo RESOLVE (discutido com mais detalhes em Bolstad, 2002).
Como RESOLVEr os desafios esportivos
Estado de Recursos para o Practitioner
A sessão que Steve descreve, levou menos de meia hora. Quando ele chegou, eu o saudei e lhe perguntei o que ele queria alcançar com aquele encontro. Eu observei que havia reservado uma hora mas normalmente nós completamos o trabalho na metade do tempo. É o tempo necessário para lhe dizer algo muito importante - a minha confiança de que aquilo que ele quer pode ser realizado.
Estabelecer o rapport
Steve explicou que as usuais dúvidas antes da corrida já estavam correndo pela sua mente (já descritas acima). Ele disse que apesar de saber das vantagens que já tinha das sessões anteriores e do trabalho já feito com a PNL, ainda tinha dúvidas que estavam lhe incomodando. Eu reafirmei o que já tinha dito e verifiquei se ele tinha entendido, ao mesmo tempo em que ajustava a minha postura, voz e respiração para acompanhar a dele. Muito do que nós fazemos numa sessão envolve simplesmente a mudança do estado, e isto precisa começar comigo acompanhando a fisiologia do Steve porque assim, quando eu mudo para um estado mais fortalecedor, ele em resposta passa isso para a corrida.
ESpecifique o objetivo
Eu perguntei para o Steve o que ele precisava conseguir na sessão para saber que ela tinha sido vantajosa. Isso o levou a identificar a corrida pela montanha como o problema principal. Se ele conseguisse superar a sensação de que isso exigia um grande esforço para ser superado, seria ótimo. Eu lhe perguntei como ele se sentiria se o problema fosse resolvido e ele me deu uma boa descrição sensorial e específica do estado que ele queria. Eu verifiquei que isso poderia ser conduzido facilmente por ele. Como ele mencionou antes, isto era uma questão ecológica importante. Se ele queimasse todas as energias no trecho da montanha, como ele disse antes, ele ia "explodir antes da linha de chegada."
Explorando o modelO do mundo
Depois perguntei como ele lidava com as sensações desagradáveis que ele tinha sobre a corrida. Ele me explicou que tinha essa imagem dos líderes correndo uns dez minutos na frente dele. Para verificar isto como se eu estivesse na corrida no lugar dele, o que eu precisava fazer era imaginar que os outros estavam correndo na frente, e pensar sobre o que isto significava em termos de como seria duro o resto da corrida para mim. Eu perguntei a ele como eu fazia para saber e imaginar que eles estavam tão longe na minha frente. Eu podia ver algum deles? Não, agora eles não estavam visíveis. Nesse momento o que eu estou fazendo é explorar o modelo do mundo dele, e chamando a atenção de que é ele que está encarregado de criar as sensações que ele está tendo nesse ponto na corrida. Ele tem que imaginar certas coisas a fim de obter este resultado.
Para demonstrar isso, eu fiz um exercício com ele. Nesse exercício, nós dois ficamos de pé. Fiz o Steve levantar o braço esquerdo para a frente e paralelamente com o chão. Aí lhe disse: "Agora, mantendo os pés no mesmo lugar, gire seu corpo para a esquerda, apontando seu braço tanto quanto conseguir até ele ficar todo esticado. Perceba, por um ponto na parede, o quanto você conseguiu virar." Aí pedi que ele voltasse para a posição inicial, fechasse os olhos e fizesse uma imagem do que ele estaria vendo se girasse de novo, porém dessa vez indo 30 centimetros a mais do que na vez anterior. Eu lhe pedi que percebesse o que ele estava sentindo ser tão mais flexível, e girar tanto tão facilmente. Também, o que ele diria para ele mesmo se conseguisse fazer isto com tanta facilidade. Teria ficado surpreso? Então de novo, pedi que ele girasse fisicamente para a esquerda. Eu demonstrei isto antes, que eu mesmo podia ir mais longe, sorrir com o "conhecimento" e depois afirmar "Veja como agora você vai mais longe usando o mesmo braço." Isso é uma simples demonstração de como o poder das nossas "representações internas" pode dar forma aos nossos resultados externos. Como Steve diz "O propósito determina a atitude."
É essa etapa e não o processo de mudança da PNL, que é o ponto crucial da sessão. O que eu estou fazendo é entrar na experiência do Steve e eu mesmo descobrir o que pode ser ajustado. Muitas vezes antes dessa etapa, o problema parece ser insolúvel para o Steve. Eu não inventei uma solução externa. Eu apenas chamei a atenção do que ele estava fazendo no seu cérebro para conseguir o resultado que ele estava obtendo. Uma vez que isto está esclarecido, a técnica necessária da PNL fica óbvia para nós dois: faça algo diferente!
Liderança
Agora nós estamos prontos para alterar a estratégia de Steve para não se sentir subjugado. Eu chamei a atenção dele que se ele não podia ver os líderes da corrida, então tudo aquilo que ele estava imaginando era apenas uma fantasia. Assim sendo ele também podia criar uma fantasia conveniente. Eu o fiz viver a experiência de estar na corrida, e criar a imagem de que os líderes da corrida só estavam logo ali na frente dele. Imediatamente ele notou que isto tinha funcionado e que ele tinha mudado a maneira que se sentia.
Verificar a mudança
Steve estava tão acostumado aos processos da PNL que antes que eu pudesse lhe perguntar, ele já estava confirmando os resultados e criando uma ponte ao futuro para a mudança. Ele prontamente repetiu passando pelas situações em que se envolveria, confirmando que se sentia diferente ao usar essa nova estratégia.
Saída Ecológica
De fato, Steve modificou a minha sugestão de maneira crucial. Ele imaginou que os outros corredores estavam atrás dele, mesmo na parte mais difícil. Como ele mesmo disse, isso criou um resultado na vida real melhor do que o que ele tinha planejado antes. Nesse momento da sessão, nós só estávamos verificando que o problema tinha sido resolvido de tal modo que ele se sentiria muito bem na corrida real.
O que ganhamos ao trabalhar com atletas usando a PNL?
Eu quero reafirmar que não sou profissional em corridas. Eu corro e faço exercícios moderadamente mas sei que, sem dúvida, as minhas representações internas afetam a minha maneira de correr. Eu já falei com Steve sobre a minha experiência em corridas. Contudo, a minha habilidade é saber como foram construídas as representações internas de uma pessoa e que resultados elas produzem.
Também sei como ressignificar a importância dos eventos. Um ano atrás, por exemplo, Steve me disse que estava preocupado porque agora tinha muitos corredores mais jovens e mais preparados. Eu expressei surpresa. "Uau! Eu achei que era exatamente isto que fazia esse ano ficar tão emocionante. Se você não vencer, vai ser fácil explicar, e também o sucesso será fantástico ao vencer os jogadores mais jovens. Aí é que está o poder disso tudo!" Isso é uma simples ressignificação, e eu a considero tão importante quanto ensinar ao Steve como usar os swishes visuais da PNL que o impulsionam quando está no caiaque, as âncoras que recriam os estados mais elevados a partir dos seus treinos e as afirmações que ele pode escrever no seu caiaque para re-inspirá-lo no meio da corrida.
Também tem um outro aspecto no trabalho com atletas que eu considero importante. Steve descreve como a corrida de 2003 terminou na sua prórpia página da internet. "Quase desmaiando por causa do esgotamento, e caindo de cara na areia pode não ser a maneira favorita para alguém terminar um sábado, eu tenho que dizer que, pessoalmente, foi um final extremamente satisfatório para um grande dia! Assim que os médicos me arrastaram da rampa de chegada da Costa a Costa 2003 para me administrar o soro, eu festejei a satisfação da experiência de estar totalmente esgotado. Podem acreditar na minha palavra, a vitória nesta derradeira corrida foi única porque a gente não podia ter ido correr com mais empenho para vencer do que fomos." (Gurney, 2003). Obviamente, muitas vezes, os atletas trabalham fisicamente no fio da navalha. O meu interesse, como o de Steve, está em assegurar que a pessoa com quem eu estou trabalhando não apenas atinja seu objetivo, como também tenha uma vida que vale a pena ser vivida. Isto significa que as nossas sessões devem levar em consideração algo mais do que apenas no "como vencer."
Steve explica que: "Eu fiz umas pesquisas e descobri um estudo sobre os atletas da equipe dos EUA nos jogos olímpicos que ganharam medalhas de ouro. Foram dois grupos estudados: os vencedores que repetiram as medalhas de ouro e os que tentaram repetir o ouro mas falharam. Tinham muitas conclusões obtidas das comparações das atitudes mentais, mas a que mais me impactuou foi a observação de que os vencedores que repetiram a medalha não se concentraram no objetivo da vitória, do ouro ou das recompensas monetárias. Ao contrário, eles se focaram na sensação de competir com eficiência, de competir com a máxima despreocupação, de estar "excelente" e "na maré." Em poucas palavras, eles se concentraram mesmo foi na diversão, na paixão da atividade que eles escolheram. No prazer! (Gurney, 2001)
Para concluir, se concentrar na diversão é parte de algo maior do que apenas "trabalhar no esporte." Joseph O'Connor disse isso muito bem quando observou "O esporte enriquece a sua vida, mas você precisa ter uma vida satisfatória fora do esporte para ser enriquecida." (O'Connor, 2001, p 155). A minha função é trabalhar com pessoas, onde algumas têm metas no campo do esporte. Acima de tudo o que torna agradável trabalhar com o Steve é que ele sabe a importância disto.
Meus agradecimentos ao Steve Gurney pela contribuição e pelas correções nesse artigo.
Bibliografia:
Bolstad, R. RESOLVE: A New Model Of Therapy, Crown House, Bancyfelin, Wales, 2002
Butcher, M. "Is Steve Gurney Mad?" p 48-59 in North & South, July 2001
Gurney, S. "Gurney's Gossip" Online Edition 2001 (http://www.perceptionkayaking.com/)
Gurney, S. "Gurney's Gossip" Online Edition 31 March 2003 (http://www.gurneygears.com/)
O'Connor, J. NLP & Sports Thorsons, London, 2001
Richard Bolstad é Trainer de PNL e autor de Pro-fusion, um livro sobre PNL e saúde. Richard trabalhou com proeminentes organizações esportivas da Nova Zelândia e foi treinador de atletas como o triatleta Steve Gurney

Histórias de desempenho esportivo

A história de Steve Gurney
"Eu era sempre o último nas corridas na escola", disse o triatleta neozelandês Steve Gurney, "e por não ter capacidade nunca sonhei em ser um atleta." (citado por Butcher, 2001, p.52). Com apenas 1 metro e setenta de altura e agora com 40 anos de idade, Gurney graduado em engenharia mecânica pela Universidade de Canterbury, dirige a empresa Gurneygears, onde ele vende uma série das suas próprias invenções para uso esportivo. Mas ele é mais famoso na Nova Zelândia por ter vencido nove vezes o triatlo "Costa a Costa," sendo que foram cinco vezes seguidas. Ele agora se distingue praticando caiaque, corrida e ciclismo, e é um dos atletas mais conhecidos da Nova Zelândia.
A primeira vez em que ele ganhou essa corrida de um lado a outro da Nova Zelândia foi em 1990, depois de um ano trabalhando sob a orientação baseada na PNL de Grahame Felton. O caminho para a fama de Gurney parecia definido, mas em 1994, durante uma perigosa corrida de 5 dias em Bornéo, ele contraiu um caso fatal de leptospirose. Ninguém esperava que ele conseguisse sobreviver à doença. Quando se recuperou dos sérios problemas nos rins, no coração e nos pulmões, entrou numa depressão e num cepticismo consigo mesmo que duraram seis meses. Foi a PNL que permitiu que ele saísse dessa situação e voltasse a correr em dois anos. Ele trabalhou com Felton e mais outros três trainers. Gurney conta o que ocorria naqueles dias: "Eu tinha um provérbio colado no teto em cima da minha cama - Pense em três coisas positivas durante o dia." Depois de refletir, ele diz: "A gratidão de estar vivo e de tirar o máximo proveito do que eu tenho agora, tem um valor muito grande quando penso pelo horror pelo que passei. Agora as minhas paixões e as minhas ações são tudo na minha vida, eu consigo realizar tudo o que eu quero." (Butcher, 2001, p. 56)
A origem da motivação do Steve
Em 1999 Steve me contatou antes do Costa a Costa. Existiam notícias de que corredores mais jovens e mais bem preparados estavam prontos para arrebatar a corrida dele. Ele explicava: "Nesses dias agitados antes da corrida, é muito fácil sucumbir aos rumores sobre desempenhos incríveis nos treinos e dos relatos de competidores "pegando fogo". Nesses dias cruzam pela minha mente pensamentos como: Será que eu treinei o suficiente? Será que treinei demais? Já pensei em todas as possibilidades? Nas semanas anteriores à corrida é realmente importante desenvolver e fortalecer a minha atitude mental. Por exemplo, eu acredito que o vencedor será o atleta que tiver o desejo mais ardente e impetuoso. Mesmo que ele tenha treinado um pouco menos do que os outros concorrentes, pode compensar e por isso vencer, correndo com uma grande paixão e determinação." (Gurney, 2003)
Porém em 1999 o mais importante era ele mesmo esclarecer porque estava correndo. Ele havia criado uma visão do futuro aonde ia se tornar escritor e palestrante motivacional, encorajando pessoas a serem bem sucedidas em seus campos de atuação, usando o seu extraordinário exemplo. Ver essas pessoas na sua mente era uma das coisas essenciais para que ele conseguisse passar pelas partes mais difíceis da corrida daquele ano. Agora, quatro anos depois, ele é uma celebridade, e percorre o país falando para homens de negócios e para crianças nas escolas sobre o que é se sentir saudável e como aproveitar os desafios. Ele já tem três livros planejados, um dos quais é baseado em converter obstáculos em oportunidades e nos insights que ele considera ser a receita do sucesso dele. Isto, segundo ele, é a sua missão. O benefício dessa missão foi óbvio lá em 1999. Num e-mail que ele enviou logo após a corrida, ele dizia: "Um GRANDE obrigado para você pelo trabalho com a PNL que realizou antes da Costa a Costa. Isso fez TODA diferença, e eu fiquei surpreso em como você chegou tão rápido a uma solução. Essa solução mudou o meu pensamento para uma atitude decidida e determinada. Um estado muito mais positivo. O dia da corrida foi incrivelmente agradável e só tinha uma leve brisa. Eu agora sorrio quando penso sobre ela e tenho visões coloridas e agradáveis. Tudo muito poderoso." Lógico que não fui eu que apareci com a solução, foi o próprio Steve. O que eu fiz foi chamar a atenção de que a solução não podia estar disponível somente ao nível da corrida em si. Steve precisava de algo mais poderoso para inspirá-lo, e foi isto que ele descobriu.
A realidade é aquilo que você faz
Novos desafios psicológicos a serem superados surgem a cada ano. Mas em termos de PNL, o que Steve estava fazendo era aprender a fazer funcionar o seu próprio cérebro. Como muitos atletas, ele já estava altamente motivado e tudo que nós estávamos fazendo com a PNL era a sintonia fina desta motivação. Abaixo está a maneira como ele descreve o desafio de 2003 (Gurney, 2003):
"Nesses anos quanto mais eu ganhava uma corrida, mais eu aprendia que o essencial para vencer é o aspecto psicológico. 'O propósito determina a atitude,' diz tudo. Nada mais verdadeiro do que aconteceu nesse ano. Eu tinha um tremendo peso nos ombros. Tinha uma pequena turma de jovens herdeiros prontos para o ataque e dispostos a me tomarem a coroa do Costa a Costa. A mídia também estava sedenta e alimentava o drama com manchetes como: 'Quem será o herdeiro do trono de Gurney!' O patrocinador somente esperava um vencedor para as homenagens, por isso que pressão!"
"Eu gostaria de compartilhar com vocês uma pequena história, porém muito poderosa, de como eu usei a atitude mental da PNL para impulsionar o meu desempenho esse ano no Costa a Costa. É uma história de como transformar um negativo em positivo, convertendo "preocupação" em "desafio!" Em lugar de estar com medo da competição, eu queria era "saborear o desafio" da corrida pelas montanhas que estava me preocupando. Apesar de ser um corredor habilidoso e de ter treinado muito, eu não sou tão rápido no Goat Pass (Desfiladeiro da Cabra) como o Neil Gelately. Historicamente, eu ia aparecer da corrida pelas montanhas de 8 a 10 minutos atrás do líder. Isso ia exigir um enorme esforço para poder recuperar essa diferença antes da linha de chegada... muito cansativo! (Lógico que eu podia correr pelas montanhas mais ligeiro do que os líderes, mas isso era uma questão de capacidade. Eu precisava me compassar cuidadosamente para correr a uma velocidade que eu pudesse manter por todas as 11 horas, e não apenas nas 3 horas da corrida pelas montanhas. Eu podia vencer a corrida pelas montanhas, mas ia explodir antes da linha de chegada.)"
"Eu recrutei o auxílio do meu guru de PNL Richard Bolstad para me ajudar. Para resumir, a solução era explodir a minha crença de que eu sempre corria 10 minutos atrás dos líderes. Bolstad, com muito poder, chamou a minha atenção de que a realidade é tudo aquilo que eu imagino ser e, de fato com um pouco de trabalho, eu alterei as minhas crenças para elas ficarem mais poderosas e positivas. Eu visualizei o líder da corrida na minha frente "logo ali virando a esquina", possivelmente até atrás de mim, e não os terríveis 10 minutos que eu estava imaginando. Funcionou perfeitamente! Eu apareci vindo das montanhas 1 minuto na frente do Gelately! A minha melhor corrida pelas montanhas até hoje!! O mecanismo é mesmo positivo, alegre e prazeroso. Libera endorfina e outras substâncias químicas naturais que favorecem a velocidade e que intensifica o foco, a concentração e o uso mais eficiente dos músculos e do glicogênio no sangue."
Os esportes e a vida
Joseph O'Connor, trainer de PNL (2001, p viii-ix) especifica os cinco elementos fundamentais para maximizar o desempenho esportivo:
Estabelecer objetivos
Repetição mental usando todos os sentidos
Capacidade para se concentrar, para se focar e prestar atenção ao momento atual
Capacidade para lidar com distrações e ansiedade
Aprender com as vitórias e os insucessos
Essas habilidades são claramente importantes para qualquer realização na vida, e é interessante perceber como Steve usou todos esses elementos no exemplo acima. Como trainer de PNL, eu não sou um especialista em esportes como é o Steve. Apesar dos seus comentários jocosos, eu não sou o seu guru nem conselheiro dele. O meu interesse, cada vez que o vejo, é descobrir como ele está usando o cérebro para obter os resultados que ele está conseguindo, tanto os sucessos como os insucessos, e descobrir o que é que ele quer realizar depois. Deixe-me explicar, usando o exemplo que ele deu acima, como eu faço isto. Vamos analisar o processo pelo qual passamos usando o modelo RESOLVE (discutido com mais detalhes em Bolstad, 2002).
Como RESOLVEr os desafios esportivos
Estado de Recursos para o Practitioner
A sessão que Steve descreve, levou menos de meia hora. Quando ele chegou, eu o saudei e lhe perguntei o que ele queria alcançar com aquele encontro. Eu observei que havia reservado uma hora mas normalmente nós completamos o trabalho na metade do tempo. É o tempo necessário para lhe dizer algo muito importante - a minha confiança de que aquilo que ele quer pode ser realizado.
Estabelecer o rapport
Steve explicou que as usuais dúvidas antes da corrida já estavam correndo pela sua mente (já descritas acima). Ele disse que apesar de saber das vantagens que já tinha das sessões anteriores e do trabalho já feito com a PNL, ainda tinha dúvidas que estavam lhe incomodando. Eu reafirmei o que já tinha dito e verifiquei se ele tinha entendido, ao mesmo tempo em que ajustava a minha postura, voz e respiração para acompanhar a dele. Muito do que nós fazemos numa sessão envolve simplesmente a mudança do estado, e isto precisa começar comigo acompanhando a fisiologia do Steve porque assim, quando eu mudo para um estado mais fortalecedor, ele em resposta passa isso para a corrida.
ESpecifique o objetivo
Eu perguntei para o Steve o que ele precisava conseguir na sessão para saber que ela tinha sido vantajosa. Isso o levou a identificar a corrida pela montanha como o problema principal. Se ele conseguisse superar a sensação de que isso exigia um grande esforço para ser superado, seria ótimo. Eu lhe perguntei como ele se sentiria se o problema fosse resolvido e ele me deu uma boa descrição sensorial e específica do estado que ele queria. Eu verifiquei que isso poderia ser conduzido facilmente por ele. Como ele mencionou antes, isto era uma questão ecológica importante. Se ele queimasse todas as energias no trecho da montanha, como ele disse antes, ele ia "explodir antes da linha de chegada."
Explorando o modelO do mundo
Depois perguntei como ele lidava com as sensações desagradáveis que ele tinha sobre a corrida. Ele me explicou que tinha essa imagem dos líderes correndo uns dez minutos na frente dele. Para verificar isto como se eu estivesse na corrida no lugar dele, o que eu precisava fazer era imaginar que os outros estavam correndo na frente, e pensar sobre o que isto significava em termos de como seria duro o resto da corrida para mim. Eu perguntei a ele como eu fazia para saber e imaginar que eles estavam tão longe na minha frente. Eu podia ver algum deles? Não, agora eles não estavam visíveis. Nesse momento o que eu estou fazendo é explorar o modelo do mundo dele, e chamando a atenção de que é ele que está encarregado de criar as sensações que ele está tendo nesse ponto na corrida. Ele tem que imaginar certas coisas a fim de obter este resultado.
Para demonstrar isso, eu fiz um exercício com ele. Nesse exercício, nós dois ficamos de pé. Fiz o Steve levantar o braço esquerdo para a frente e paralelamente com o chão. Aí lhe disse: "Agora, mantendo os pés no mesmo lugar, gire seu corpo para a esquerda, apontando seu braço tanto quanto conseguir até ele ficar todo esticado. Perceba, por um ponto na parede, o quanto você conseguiu virar." Aí pedi que ele voltasse para a posição inicial, fechasse os olhos e fizesse uma imagem do que ele estaria vendo se girasse de novo, porém dessa vez indo 30 centimetros a mais do que na vez anterior. Eu lhe pedi que percebesse o que ele estava sentindo ser tão mais flexível, e girar tanto tão facilmente. Também, o que ele diria para ele mesmo se conseguisse fazer isto com tanta facilidade. Teria ficado surpreso? Então de novo, pedi que ele girasse fisicamente para a esquerda. Eu demonstrei isto antes, que eu mesmo podia ir mais longe, sorrir com o "conhecimento" e depois afirmar "Veja como agora você vai mais longe usando o mesmo braço." Isso é uma simples demonstração de como o poder das nossas "representações internas" pode dar forma aos nossos resultados externos. Como Steve diz "O propósito determina a atitude."
É essa etapa e não o processo de mudança da PNL, que é o ponto crucial da sessão. O que eu estou fazendo é entrar na experiência do Steve e eu mesmo descobrir o que pode ser ajustado. Muitas vezes antes dessa etapa, o problema parece ser insolúvel para o Steve. Eu não inventei uma solução externa. Eu apenas chamei a atenção do que ele estava fazendo no seu cérebro para conseguir o resultado que ele estava obtendo. Uma vez que isto está esclarecido, a técnica necessária da PNL fica óbvia para nós dois: faça algo diferente!
Liderança
Agora nós estamos prontos para alterar a estratégia de Steve para não se sentir subjugado. Eu chamei a atenção dele que se ele não podia ver os líderes da corrida, então tudo aquilo que ele estava imaginando era apenas uma fantasia. Assim sendo ele também podia criar uma fantasia conveniente. Eu o fiz viver a experiência de estar na corrida, e criar a imagem de que os líderes da corrida só estavam logo ali na frente dele. Imediatamente ele notou que isto tinha funcionado e que ele tinha mudado a maneira que se sentia.
Verificar a mudança
Steve estava tão acostumado aos processos da PNL que antes que eu pudesse lhe perguntar, ele já estava confirmando os resultados e criando uma ponte ao futuro para a mudança. Ele prontamente repetiu passando pelas situações em que se envolveria, confirmando que se sentia diferente ao usar essa nova estratégia.
Saída Ecológica
De fato, Steve modificou a minha sugestão de maneira crucial. Ele imaginou que os outros corredores estavam atrás dele, mesmo na parte mais difícil. Como ele mesmo disse, isso criou um resultado na vida real melhor do que o que ele tinha planejado antes. Nesse momento da sessão, nós só estávamos verificando que o problema tinha sido resolvido de tal modo que ele se sentiria muito bem na corrida real.
O que ganhamos ao trabalhar com atletas usando a PNL?
Eu quero reafirmar que não sou profissional em corridas. Eu corro e faço exercícios moderadamente mas sei que, sem dúvida, as minhas representações internas afetam a minha maneira de correr. Eu já falei com Steve sobre a minha experiência em corridas. Contudo, a minha habilidade é saber como foram construídas as representações internas de uma pessoa e que resultados elas produzem.
Também sei como ressignificar a importância dos eventos. Um ano atrás, por exemplo, Steve me disse que estava preocupado porque agora tinha muitos corredores mais jovens e mais preparados. Eu expressei surpresa. "Uau! Eu achei que era exatamente isto que fazia esse ano ficar tão emocionante. Se você não vencer, vai ser fácil explicar, e também o sucesso será fantástico ao vencer os jogadores mais jovens. Aí é que está o poder disso tudo!" Isso é uma simples ressignificação, e eu a considero tão importante quanto ensinar ao Steve como usar os swishes visuais da PNL que o impulsionam quando está no caiaque, as âncoras que recriam os estados mais elevados a partir dos seus treinos e as afirmações que ele pode escrever no seu caiaque para re-inspirá-lo no meio da corrida.
Também tem um outro aspecto no trabalho com atletas que eu considero importante. Steve descreve como a corrida de 2003 terminou na sua prórpia página da internet. "Quase desmaiando por causa do esgotamento, e caindo de cara na areia pode não ser a maneira favorita para alguém terminar um sábado, eu tenho que dizer que, pessoalmente, foi um final extremamente satisfatório para um grande dia! Assim que os médicos me arrastaram da rampa de chegada da Costa a Costa 2003 para me administrar o soro, eu festejei a satisfação da experiência de estar totalmente esgotado. Podem acreditar na minha palavra, a vitória nesta derradeira corrida foi única porque a gente não podia ter ido correr com mais empenho para vencer do que fomos." (Gurney, 2003). Obviamente, muitas vezes, os atletas trabalham fisicamente no fio da navalha. O meu interesse, como o de Steve, está em assegurar que a pessoa com quem eu estou trabalhando não apenas atinja seu objetivo, como também tenha uma vida que vale a pena ser vivida. Isto significa que as nossas sessões devem levar em consideração algo mais do que apenas no "como vencer."
Steve explica que: "Eu fiz umas pesquisas e descobri um estudo sobre os atletas da equipe dos EUA nos jogos olímpicos que ganharam medalhas de ouro. Foram dois grupos estudados: os vencedores que repetiram as medalhas de ouro e os que tentaram repetir o ouro mas falharam. Tinham muitas conclusões obtidas das comparações das atitudes mentais, mas a que mais me impactuou foi a observação de que os vencedores que repetiram a medalha não se concentraram no objetivo da vitória, do ouro ou das recompensas monetárias. Ao contrário, eles se focaram na sensação de competir com eficiência, de competir com a máxima despreocupação, de estar "excelente" e "na maré." Em poucas palavras, eles se concentraram mesmo foi na diversão, na paixão da atividade que eles escolheram. No prazer! (Gurney, 2001)
Para concluir, se concentrar na diversão é parte de algo maior do que apenas "trabalhar no esporte." Joseph O'Connor disse isso muito bem quando observou "O esporte enriquece a sua vida, mas você precisa ter uma vida satisfatória fora do esporte para ser enriquecida." (O'Connor, 2001, p 155). A minha função é trabalhar com pessoas, onde algumas têm metas no campo do esporte. Acima de tudo o que torna agradável trabalhar com o Steve é que ele sabe a importância disto.
Meus agradecimentos ao Steve Gurney pela contribuição e pelas correções nesse artigo.
Bibliografia:
Bolstad, R. RESOLVE: A New Model Of Therapy, Crown House, Bancyfelin, Wales, 2002
Butcher, M. "Is Steve Gurney Mad?" p 48-59 in North & South, July 2001
Gurney, S. "Gurney's Gossip" Online Edition 2001 (http://www.perceptionkayaking.com/)
Gurney, S. "Gurney's Gossip" Online Edition 31 March 2003 (http://www.gurneygears.com/)
O'Connor, J. NLP & Sports Thorsons, London, 2001
Richard Bolstad é Trainer de PNL e autor de Pro-fusion, um livro sobre PNL e saúde. Richard trabalhou com proeminentes organizações esportivas da Nova Zelândia e foi treinador de atletas como o triatleta Steve Gurney